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Amorim diz que há 'limite' para ajuda à Argentina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quinta-feira que o governo brasileiro só poderá ajudar a Argentina com energia se isso não provocar o risco de um "apagão" no Brasil. "Não podemos cobrir um santo e descobrir outro", afirmou Amorim. "Estaremos sempre dispostos a ajudar, até porque somos sócios, mas existe um limite. E esse limite é o de não prejudicar, não desabastecer o mercado brasileiro." "Faremos tudo o que pudermos fazer desde que não crie uma crise (no Brasil)", insistiu o ministro, referindo-se à possibilidade de o Brasil fornecer, como já fez outras vezes, energia elétrica à Argentina ou ceder parte do gás que compra da Bolívia. Amorim destacou, porém, que o governo argentino não pediu "diretamente" que o Brasil ceda parte do seu gás. O chanceler falou com os jornalistas brasileiros na embaixada do Brasil em Buenos Aires, pouco antes de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcar no país para uma série de reuniões com a colega argentina Cristina Kirchner, nesta sexta-feira. No sábado, Lula, Cristina e o boliviano Evo Morales reúnem-se para discutir a escassez de gás para atender a demanda dos três países. Hoje, a Bolívia atende à demanda interna e fornece o que está previsto em contrato com o Brasil, mas a sua produção é insuficiente para cumprir também o contrato com a Argentina. Acordos Amorim afirmou que Lula e Cristina assinarão uma série de acordos de longo prazo na área energética, que prevêem a reativação do projeto de construção do complexo hidrelétrico de Garabi, no rio Uruguai, e a construção conjunta de reatores nucleares. “São duas usinas (uma de cada lado da fronteira) importantes e que representam 20% (do que gera) a hidrelétrica de Itaipu. Mas isso demora tempo”, disse. Estima-se que a construção levará pelo menos cinco anos para ser iniciada, após uma série de licitações. Os presidentes, segundo Amorim, farão anúncios ainda na área de defesa, com uma possível participação da Embraer no desenvolvimento do setor de manutenção e construção de aviões na Argentina. O chanceler disse que não poderia comentar a notícia publicada no jornal argentino Clarin desta quinta-feira que, com base em informações de uma fonte não-identificada, diz que o governo argentino poderia rever os gastos da Petrobras com gás no país, caso o Brasil não liberasse parte do combustível ao mercado argentino. “Não posso comentar questões ditas assim (em off)”, disse Amorim. Na semana passada, a Petrobras divulgou, no Brasil, nota dizendo que não poderia abrir mão do gás que consome, contratado da Bolívia. “Uma coisa é a dificuldade empresarial e deve ser analisada no seu próprio mérito. A Petrobras fala como empresa e não como o governo brasileiro”, disse. A nota da Petrobras foi divulgada logo após encontro do vice-presidente da Bolívia, Alvaro García Linera, com a direção da empresa, no Rio de Janeiro, e pouco depois de reunião de Linera com o presidente Lula, em Brasília. Na quarta-feira, o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, voltou a dizer que o Brasil não aceitará abrir mão de parte do gás a que tem direito em acordo firmado com a Bolívia para ajudar a Argentina. |
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