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Kirchner pede 'igualdade' em balança comercial | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pediu "eqüidade" na balança comercial com o Brasil, num momento em que seu país acumula déficit histórico com o mercado brasileiro. "Temos que entender, nós e nosso principal sócio, a República Federativa do Brasil, com quem temos um déficit de US$ 4,3 bilhões, que (este déficit) aumentou 17% frente ao ano passado", disse. "Qual é a solução? Conversei sobre isso com o presidente Lula e a saída é conseguir um equilíbrio razoável na balança através de maior integração e maior grau de complementaridade entre todas as indústrias, principalmente a indústria automotiva. Esse setor explica até 50% do déficit da balança comercial". Segundo ela, a integração tem que ser vivida "por todos os setores" que a conformam, "de uma maneira igual para que possa trazer benefícios para todos os setores e não só para uns", afirmou. Cristina defendeu a entrada da Venezuela no Mercosul, destacando que o país presidido por Hugo Cháves é "decisivo" para a equação energética da região. "Não é questão de simpatia pessoal ou de amiguismo político. É simplesmente um exercício de racionalidade para integrar e fechar, definitivamente, a equação energética na América Latina”, disse. É a primeira vez que a presidente argentina critica o déficit comercial de seu País com o Brasil - fato que vem ocorrendo a quatro anos consecutivos, segundo dados oficiais. Gás Após a reunião, há uma semana, em Buenos Aires, com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Evo Morales, da Bolívia, Cristina Kirchner se referiu ao encontro realizado para discutir a escassez de gás boliviano para atender a demanda dos três países. "(Essa discussão) não se refere só à administração e o uso racional (de energia) porque estamos absolutamente interconectados. Do mesmo modo que Bolívia vende gás para a Argentina para o Brasil, nós devolvemos em botijões ao Paraguai e a Bolívia." "E do mesmo modo que o Brasil nos vende energia elétrica, nós lhe devolvemos gás através de Uruguaiana que eles convertem em energia elétrica. Da mesma maneira que mandamos energia elétrica ao Uruguai, o Uruguai também nos devolve energia e nós mandamos gás ao Chile", afirmou. Para Cristina, tentou-se mostrar que a escassez energética é um problema só da Argentina. Mas para ela esse é um problema da região e do mundo em geral. "E nós estamos no mundo e na região. Portanto, devemos abordar a questão com seriedade e tranqüilidade", declarou. Cristina Kirchner disse que, apesar do interesse de cada país, ela espera "responsabilidade" de cada um dos presidentes da região. "Mas o certo é que a racionalidade e o acordo terão prioridade entre todos que têm responsabilidade na direção dos Estados que compõem a América do Sul", disse. "Confio, plenamente, na responsabilidade do presidente da Republica Federativa do Brasil, da Republica de Bolívia, de nós mesmos, do Chile e do Uruguai", afirmou. Críticas Essas declarações da líder argentina foram feitas logo depois de ela ter criticado as palavras do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, ditas em Buenos Aires, durante a visita do presidente Lula ao país. "Não podemos dar nenhuma molécula de gás à Argentina". Neste sábado, Cristina citou a frase, sem dizer o nome de Gabrielli. "(A imprensa) preferiu destacar as palavras de um presidente de uma companhia energética que disse, com critério pouco feliz para a integração e a solidariedade latino-americana, nenhuma molécula de gás para a Argentina. Isso sim teve destaque. Não sei se por questões culturais, de que sempre está tudo mal, ou alguma outra pauta, de alguma importante empresa", criticou. Segundo ela, o mesmo destaque não foi dado à informação de que a estatal boliviana YPFB pediu às petroleiras que não realizem obras de manutenção durante o inverno para não afetar o abastecimento de gás tanto interno quanto para a Argentina e Brasil. "A obrigação é de informar corretamente", disse. "(...) Porque apesar da lógica representação dos interesses locais, que cada um de nós temos, temos clara consciência que a integração é o único caminho possível", insistiu. O discurso de Cristina foi feito durante a tradicional abertura do ano legislativo, no Congresso Nacional. Vestida de branco, ela deixou o local aplaudida e como fez o ex-presidente Nestor Kirchner, seu marido, saiu do Congresso para beijar e abraçar populares, que estavam à porta do Parlamento, no centro de Buenos Aires. |
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