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Atualizado às: 17 de março, 2008 - 17h03 GMT (14h03 Brasília)
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Mais da metade dos iraquianos diz ter vida 'boa', indica pesquisa
Soldado iraquiano (arquivo)
Apoio ao Exército e à polícia continua alto entre os iraquianos
Uma nova pesquisa no Iraque aponta que 55% da população avalia que sua vida é boa - a mais alta porcentagem já registrada nos últimos três anos, de acordo com o levantamento realizado a pedido da BBC, da rede americana ABC, da alemã ARD e da japonesa NHK.

A proporção é diferente de acordo com os grupos étnicos: apenas 33% dos sunitas estão satisfeitos com a vida que levam, em comparação com 62% dos xiitas e 73% dos curdos.

"Apesar de todas as melhorias, a população sunita do Iraque claramente permanece muito alienada e muito hostil", afirma John Simpson, editor de assuntos internacionais da BBC.

Cerca de 62% dos entrevistados na pesquisa, que teve um universo de 2 mil pessoas, disseram que a segurança em sua própria área é boa. Em enquete realizada no ano passado, essa porcentagem era de 43%.

No entanto, exatamente a metade dos iraquianos entrevistados ainda considera a segurança o maior problema do país atualmente.

Ceticismo

A pesquisa, realizada entre 12 e 20 de fevereiro, sugere ainda que os iraquianos estão céticos em relação ao progresso político em seu país.

Só 21% dizem acreditar que o aumento da presença de forças americanas melhorou as condições para o diálogo político no Iraque. E 43% afirmam que o maior número de soldados dos Estados Unidos fez com que essas condições piorassem.

Os dados indicam que 38% dos iraquianos desejam que as tropas americanas deixem o país imediatamente; enquanto 35% querem que elas permaneçam no Iraque até que a segurança seja restaurada.

A precariedade dos serviços básicos também foi apontada como um problema por muitos iraquianos - 88% dizem que o abastecimento de água é muito ruim; 81% reclamam da falta de combustível e 61% afirmam que o fornecimento de energia elétrica é muito ruim.

Os resultados reforçam outros indicadores publicados em um relatório da Cruz Vermelha sobre a situação humanitária no Iraque.

De acordo com a organização, milhões de iraquianos têm pouco ou nenhum acesso a água limpa, saneamento e assistência médica. Algumas famílias gastam um terço de seu salário médio mensal de US$ 150 na compra de água limpa.

O relatório da Cruz Vermelha diz ainda que os hospitais públicos do Iraque oferecem apenas 30 mil leitos - menos da metade dos 80 mil necessários.

Unidade nacional

A pesquisa divulgada nesta segunda-feira também sugere que o apoio ao governo iraquiano aumentou, depois de uma queda de popularidade nos últimos anos.

Pouco menos de 50% dos iraquianos manifestaram confiança no governo, em comparação com 39% em março de 2007.

"O Iraque parece estar mantendo sua integridade com país", avalia John Simpson. "Uma quantidade esmagadora tanto de sunitas como de xiitas ainda quer permanecer como uma nação unificada."

"Em comparação, os curdos são os divisores", acrescenta. "Só 10% deles querem manter o país unido."

O apoio às forças de segurança iraquianas permanece alto: 67% manifestam confiança na polícia, e 65%, no Exército do Iraque.

A confiança pública em milícias locais caiu em relação ao ano passado. Em março de 2007, essa proporção estava em 36% e, em agosto, havia caído para 24%. Agora, passou para 22%.

A queda mais acentuada na confiança em milícias foi observada entre os xiitas. Em março de 2007, 51% dos xiitas confiavam nas milícias. Atualmente, essa porcentagem é de 28%, segundo a pesquisa.

Esta foi a quinta pesquisa do tipo realizada desde o começo da invasão ao Iraque liderada pelos Estados Unidos em 2003. A pesquisa foi realizada em parceria pelas empresas D3 Systems e KA Research Ltd. A margem de erro é de 2,5%.

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