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Capixaba prospera e já tem 60 casas em Londres | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Quando Jefferson Melo deixou o Brasil em 1991 para visitar a noiva na Escócia, levava na mala roupa suficiente para passar apenas um mês. Passados 17 anos, o capixaba, de 41 anos, volta ao país apenas para curtir as férias e não se ausenta muito de Londres, onde mora com a família e administra um patrimônio imobiliário estimado em 19 milhões de libras (R$64 milhões). "Foi por acaso que decidi investir no mercado imobiliário", contou o brasileiro, que é proprietário de mais de 60 casas em Londres, todas alugadas. Ele prefere não precisar o número de propriedades adquiridas desde 1993, quando comprou sua primeira casa por apenas 52 mil libras (cerca de R$ 180 mil), um valor baixo se comparado com as atuais cifras astronômicas que ditam o supervalorizado mercado imobiliário britânico. A família mora em uma casa com piscina, cinco quartos, três salas e quatro banheiros em Essex, no leste de Londres. Na garagem, uma frota de oito carros que incluem uma Ferrari e duas Mercedes. Tiro no escuro “Foi um tiro no escuro, não sabia o que estava fazendo”, disse. Naquela época, Jefferson era recém-casado e supervisor de uma loja da rede Burger King. Antes, ele havia trabalhado durante dois anos como jornaleiro em um quiosque na estação de trem do bairro de Victoria, uma das mais movimentadas da capital. Na casa de três quartos e duas salas, o casal resolveu alugar dois cômodos para amigos brasileiros.
Nos sete anos que se seguiram, ele mudou de emprego duas vezes. De supervisor do Burger King virou taxista e, depois, motoboy. "Ia mudando de emprego para descobrir a melhor maneira de ganhar dinheiro. Estava sempre com a vontade de crescer, de investir em alguma coisa", disse. Mina de ouro A descoberta da "mina de ouro" veio no ano 2000, quando Jefferson decidiu comprar a segunda casa, para alugar. “Eu anunciei numa revista da comunidade brasileira e, num único dia, cheguei a receber 120 ligações. Em pouco tempo, enchi os cinco cômodos e vi que o negócio ia dar certo.” De lá pra cá, o brasileiro adquiriu dezenas de propriedades por meio de financiamentos, ocupadas por mais de 400 inquilinos, a maioria brasileiros. Os poloneses também são uma forte clientela. O brasileiro, formado em contabilidade, diz que o ano em que mais cresceu foi 2007, quando comprou e reformou 20 casas. Em uma única rua do bairro de Canning Town, no leste de Londres, ele é dono de cinco imóveis. Para administrar o negócio, Jefferson criou a empresa JM Letting & Management, que conta com gerente, secretária e profissionais da área da construção. Assim que compra os imóveis, uma equipe de pedreiros, pintores, encanadores e marceneiros entram em cena para reformar as casas, deixando-as prontas para o aluguel. E, depois de ocupadas, as propriedades ainda contam com serviço de limpeza e manutenção. Espírito empreendedor O brasileiro atribui o sucesso a seu espírito empreendedor. Nascido na colônia de italianos Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo, aos 16 anos, começou a trabalhar como fotógrafo. Anos depois, montou uma pequena produtora no município de Serra, que realizava filmagens e fotografias de casamentos. Além de administrar o negócio, trabalhava como fotógrafo independente para a prefeitura e para um jornal do município. Quando veio à Grã-Bretanha visitar a noiva, não pensava em ficar. Mas um antigo amigo brasileiro, que morava em Londres, o convenceu a procurar um emprego. “Depois de três dias procurando, consegui meu primeiro trabalho, como jornaleiro. Cinco meses mais tarde, pouco antes do meu visto de turista expirar, decidimos casar e tentar a vida aqui”, lembrou. Jefferson não teve problemas para conseguir o visto de residência, já que sua mulher, apesar de ter nascido no Brasil, é filha de britânicos. Hoje, com dois filhos, o casal não pensa em voltar para o Brasil. “O meu maior medo no Brasil é com a violência. Eu não acho que poderia viver lá com a tranqüilidade com que vivo aqui”, afirma. Do futuro, Jefferson espera ampliar o patrimônio com a compra de mais imóveis. Um deles, espera, será em frente ao mar. "É do mar que eu mais sinto saudade", afirma. |
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