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'Faxina' é principal atividade dos brasileiros em Londres | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O estudo Brazilians in London (Brasileiros em Londres), conduzido pela Universidade Queen Mary, em 2006, estima que a principal atividade desempenhada por brasileiros em Londres envolve trabalhos de limpeza. O levantamento, que analisou dados obtidos a partir de um questionário aplicado a 423 brasileiros entre os meses de setembro e outubro de 2006, mostrou que 32% dos entrevistados faziam faxina em casas e escritórios. Deste total, cerca de 80% eram mulheres. O ramo de hotelaria e restauração aparece em segundo, com 26% dos imigrantes empregados no setor. Em terceiro vem os que trabalham como motoristas e motoboys (10%), seguidos pelos que atuam na construção civil (9%) e pelas que disseram trabalhar como babá (3%). Outros 13% disseram estar fazendo “outros serviços” e apenas 1% disse não estar trabalhando. Benefícios Yara Evans, coordenadora do estudo e pesquisadora do Departamento de Geografia da Universidade Queen Mary, afirma que os resultados mostram que a comunidade brasileira “está contribuindo para a economia de Londres”. “Os brasileiros estão atuando em áreas essenciais para a economia e que normalmente não são desempenhadas pelos ingleses. É uma relação que traz benefícios para os dois lados”, avalia. O brasileiro Otavio Braga, de 27 anos, chegou a Londres em 2001 com o sonho de dar uma “vida mais digna” a seus pais. Apesar de descender de italianos, ele entrou na Grã-Bretanha como turista e ao fim dos seis meses permitidos para sua permanência conseguiu o visto de estudante. “Essa foi a forma de comprar a minha permanência aqui. Não dava para ir ao curso de inglês porque trabalhava todos os dias como camareiro de um hotel”, conta Otavio, que renovou o visto de estudante três vezes antes de conseguir o passaporte italiano. Do hotel, Otavio foi trabalhar num bar e hoje é gerente de um restaurante no centro de Londres.
Seis anos e meio depois de ter deixado a pequena cidade de Sarapuí, no interior de São Paulo, ele faz o balanço: conseguiu comprar uma casa e um carro para os pais e duas casas na Sardenha, na Itália. “Aqui a vida é mais fácil, esse tipo de trabalho aqui é muito mais valorizado que no Brasil. Eu só voltaria agora se fosse para abrir o meu negócio, mas acho que não vale a pena arriscar”. Ilegalidade Já a brasileira Aline Cabianca, de 26 anos, diz que pretende voltar para o Brasil em março do ano que vem. Ela conta que chegou a Londres em 2002 como turista e nunca se legalizou no país. “Ficar legal só compensa porque você pode entrar e sair do país. Mas para o resto nunca tive problema. Sempre consegui alugar apartamento e arrumar emprego”, diz a brasileira, que conta já ter morado com outros 23 brasileiros numa casa de seis quartos. Aline conta que nos últimos cinco anos chegou a trabalhar como chef de um restaurante e diarista, mas atualmente só está fazendo faxinas em escritórios. Com a agenda lotada de segunda a sexta-feira, ela diz que trabalha até 72 horas por semana. Aline acredita que o esforço compensa: já comprou uma casa para a mãe e uma loja que está alugada. Quando voltar ao Brasil, pretende conseguir um emprego e completar a renda com aluguel da loja e de outras duas casas que deseja adquirir. “A minha passagem por Londres está perto do fim. No início fiquei deslumbrada com o poder do dinheiro, mas agora estou desiludida. Quero voltar para perto da família, ter uma vida mais calma e não me matar de trabalhar.” A pesquisa Brazilians in London (Brasileiros em Londres) investigou informações sobre a comunidade brasileira residente na capital britânica a pedido da campanha "Strangers into Citizens" ("Transformando estranhos em cidadãos", em tradução livre), uma iniciativa que prega a anistia para imigrantes ilegais na Grã-Bretanha. |
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