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Favoritismo de Medvedev ofusca oposição em eleição russa | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Quatro candidatos participam das eleições russas do próximo domingo, mas parece não haver competição para Dmitry Medvedev, o favorito para vencer o pleito. Segundo o Centro Russo de Opinião Pública, os dois outros principais candidatos na corrida presidencial - o comunista Gennady Zyuganov e o nacionalista Vladimir Zhirinovsky - devem obter 13,5% e 11,6% respectivamente. O terceiro - Andrei Bogdanov - pouco mais de 1%. O resultado é tão previsível que muitos analistas dizem que a corrida é apenas a "imitação de um processo eleitoral". Grande parte dos eleitores parece pensar o mesmo. Em uma pesquisa realizada no início de fevereiro, 54% dos entrevistados concordaram com a definição. Apenas 32% disseram acreditar em uma verdadeira disputa. Entre as razões para a ausência de uma disputa verdadeira, segundo analistas, estão a falta de uma oposição com grande apoio popular, mas também um ambiente que não proporciona um debate eleitoral mais profundo e uma "aparente" falta de apetite da população para questionar. Zyuganov Dos atuais candidatos, somente o comunista Zyuganov teve, algum dia, chance de se eleger. Mas isso foi em 1996, quando chegou perto de derrotar Boris Yeltsin. Em 2000, Zyuganov obteve 29,2% dos votos, mas desde então sua popularidade vem caindo e, hoje, grande parte de seus eleitores é formada por idosos. Depois das eleições parlamentares de dezembro, quando o partido governista Rússia Unida saiu vitorioso, Zyuganov vem criticando o processo eleitoral. Nesta campanha presidencial, ele tem mantido o tom, afirmando que a visibilidade de Medvedev nas emissoras nacionais de televisão é tanta que a eleição pode ser considerada "manipulada". Sem sucesso. Zhirinovsky é considerado o showman da política russa. Apontado por muitos como extremamente nacionalista, anti-Ocidente e anti-semita, ele é conhecido por iniciar brigas no Parlamento, mas é considerado leal ao Kremlin. Bogdanov é o menos conhecido. Ele conseguiu garantir sua candidatura depois de coletar 2 milhões de assinaturas, mas o seu partido ganhou apenas 90 mil votos nas eleições parlamentares. Para alguns, ele foi "plantado" pelo Kremlin para dividir o voto da oposição. Oposição liberal A chamada oposição liberal não está representada. Um dos integrantes do grupo, o ex-primeiro-ministro Mikhail Kasyanov, teve a candidatura cancelada depois que as autoridades eleitorais disseram que parte das assinaturas coletadas havia sido falsificada. Para Kasyanov, a decisão foi política, mas a Comissão Eleitoral insiste que agiu dentro da lei. De qualquer forma, nas pesquisas de opinião realizadas em janeiro, ele aparecia com apenas 1% dos votos. Outro líder da oposição, Boris Nemtsov, teve a candidatura aceita, mas acabou deixando a disputa alegando que o resultado já estava predeterminado. Já o ex-campeão de xadrez Garry Kasparov, que também integra a oposição liberal, desistiu em dezembro, alegando dificuldades para que os simpatizantes se reunissem em Moscou - um pré-requisito para a candidatura. "A oposição não existe se falarmos de oposição com forte apoio popular", afirma o jornalista Sergey Dorenko, da rádio Echo, um dos poucos meios de comunicação independentes. Imprensa Duas das três principais emissoras de televisão são controladas pelo Estado, e a terceira está sob comando da Gazprom. Ainda há jornais e rádios independentes e a internet não é censurada. Os críticos afirmam que, sob Putin, o debate político não foi estimulado. Um relatório da Anistia Internacional divulgado nesta semana diz que várias organizações de mídia independentes foram fechadas e que a polícia tem atacado manifestantes da oposição. Mas além da falta de estímulo para o debate, muitos avaliam que a população tem pouco apetite para questionar se algo poderia ser melhor. Para Dorenko, a felicidade com a nova capacidade de consumir e o cansaço gerado pelo caos dos anos 90 produzem uma população que não quer saber de debates ou oposição. "Os russos querem descansar um pouco dessa loucura, dessa ofensa total contra a dignidade humana, dessa roubalheira que se chamava liberdade", afirma. "O povo foi traumatizado primeiro pela ideologia comunista falsa dos últimos anos do regime e, depois, pela ideologia da democracia." "Então, as pessoas não querem mais ideologia, nem comunista, nem democrática", acrescenta Dorenko. "A maior felicidade dos meus amigos da classe média russa é calcular as férias na Grécia e a compra do carro novo." |
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