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Atualizado às: 28 de fevereiro, 2008 - 11h57 GMT (08h57 Brasília)
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Popularidade de Putin marca campanha russa

Bonecos tradicionais russos com os rostos do presidente russo Vladimir Putin e do candidato do governo Dmitry Medvedev
Bonecos tradicionais com rostos de Putin e de Medvedev em Moscou
Quando forem às urnas neste domingo, os russos estarão votando pela continuidade.

O candidato do partido governista Rússia Unida, Dmitry Medvedev, que ocupa o cargo de vice-primeiro-ministro e é também presidente da gigante de energia Gazprom, é o favorito para vencer as eleições presidenciais no país.

De acordo com a previsão do Centro Russo de Opinião Pública, Medvedev deve faturar 73,5% dos votos, mais do que o obtido pelo próprio Putin (71,3%) ao ser eleito para o seu segundo mandato, em 2004.

Já segundo uma pesquisa realizada no início de fevereiro pelo Centro Levada, um outro instituto de pesquisa, Medvedev poderia ganhar entre 58% e 80% dos votos - a porcentagem mais alta foi obtida quando apenas os que declararam intenção de votar foram levados em conta.

Adversários

Os principais rivais na corrida presidencial - o comunista Gennady Zyuganov e o nacionalista Vladimir Zhirinovsky - devem levar, também segundo o Centro Russo de Opinião Pública, 13,5% e 11,6% respectivamente.

Se parte da explicação para tal diferença pode estar na falta de uma oposição mais forte e na falta de um debate eleitoral mais profundo, não há dúvidas de que o favoritismo de Medvedev se deve à popularidade de Putin, que deixa o governo com uma taxa de aprovação de 80%.

"Eu estou contente com tudo. Eu quero que tudo fique do jeito que está", afirma a estudante Maria Stroilova, de 19 anos.

Para o jornalista Rodrigo Fernandez, que vive na Rússia há 40 anos e trabalha como correspondente do espanhol El País há quase 20, é natural que os russos votem pela continuidade.

"Os russos estão contentes porque a liberdade, aqui, se entende de outra maneira da que se entende no Ocidente. O russo jovem, comum, o que tem entre 18 e 40 anos, se sente completamente livre. Ele pode ir aonde quer, ele pode ir ao aeroporto e viajar para o país que quer, ele pode comprar o que quer, ele pode ler o que quer, pode encontrar o que quer também no plano intelectual", afirma.

"E não podemos nos esquecer que esse povo viveu anos, dezenas de anos debaixo de uma ditadura férrea, na qual não havia nenhuma dessas liberdades, nem mesmo a liberdade de comprar carne, porque não havia carne nos supermercados. Então, o russo relativamente jovem está muito satisfeito", completa.

'País forte'

Para o analista internacional Anatoly Sosnovsky, a popularidade do atual governo se deve também ao fato de ter feito com que a população recuperasse o orgulho pelo próprio país. Ele afirma que na época do governo de transição de Boris Yeltsin, os russos viveram "uma crise econômica, uma crise social, uma crise de confiança e uma crise de identidade".

"As gerações se acostumaram a viver num grande país e, graças à propaganda soviética, pensavam que faziam parte de uma grande potência mundial. De repente, se viram em um país com padrões (de vida) comparáveis à África e à Ásia", afirma.

Por isso, para ele, o grande trunfo de Putin foi fazer com que a Rússia voltasse a ser percebida, dentro e fora, "como um país forte e com grandes perspectivas".

Durante o governo de Putin, a Rússia se tornou um país bem mais próspero economicamente. Isso se deu, em grande parte, aos preços altos do petróleo - o barril custava menos de US$ 20 quando ele chegou ao poder e hoje passa dos US$ 100 - e do gás, recursos que o país tem em abundância.

Por outro lado, críticos apontam para a queda da liberdade de expressão durante a atual administração. Segundo um documento divulgado nesta semana pela Anistia Internacional, a redução foi "alarmante".

O relatório diz que várias organizações independentes de mídia foram fechadas, que assassinatos de jornalistas não são elucidados e que a polícia tem atacado manifestantes de oposição.

Mas para o jornalista Rodrigo Fernandez, isso não preocupa a maioria dos russos.

"(O jovem russo) não está disposto a colocar em jogo o atual bem-estar (gerado pela liberdade econômica) em troca de uma liberdade de outro tipo, como a liberdade política, para que realmente as eleições sejam livres, competitivas, para que haja um debate de idéias e opiniões. Isso, no momento, não interessa aos russos", afirma.

Sosnovsky concorda que, para a maioria dos russos, a liberdade política não é fundamental.

"A maioria da população não tem essa tradição (de liberdade política e de expressão) como uma coisa sentida, como uma coisa realmente apreciada", afirma.

Mais liberal?

O que muitos analistas tentam descobrir agora é até que ponto um governo liderado por Medvedev pode se diferenciar do atual.

Formado em advocacia, Medvedev era professor antes de trabalhar com Putin assessorando o prefeito de São Petersburgo. Ao contrário de Putin, ele nunca pertenceu ao serviço de segurança russa, o FSB, ou a seu predecessor, a KGB, o que dá a ele a imagem de um político mais liberal.

Em uma ocasião, ele chegou a dizer que tem consciência de que "nenhum Estado não democrático havia se tornado verdadeiramente próspero".

"Eu acredito que a mensagem deste candidato é de uma espécie de abertura", afirma Sosnovsky.

Mas para Fernandez, talvez Medvedev não seja tão democrático quanto se pensa.

"Quando Medvedev encabeçou a campanha presidencial de Putin (em 2000), precisamente nessa época se aprovaram uma série de leis eleitorais restritivas", afirma o jornalista.

Medvedev tem falado em reduzir o papel do Estado na economia, combater a corrupção e criar um judiciário independente.

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