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Atualizado às: 29 de fevereiro, 2008 - 11h44 GMT (08h44 Brasília)
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Popularidade de Putin põe em dúvida futuro da política russa

Boneca russa de campanha eleitoral
Dmitry Medvedev e Vladimir Putin trabalham juntos desde os anos 90
A Rússia elegeu um novo presidente no domingo, mas Vladimir Putin, que deixa o cargo após cumprir dois mandatos, deverá continuar tendo um peso importante na política do país.

O candidato governista Dmitry Medvedev foi eleito com pouco mais de 70% dos votos e indicou Putin para ser o primeiro-ministro da Rússia.

O que muitos se perguntam agora é como será a divisão de poder entre os dois.

De acordo com a Constituição russa, a Presidência é a instituição mais poderosa dentro do aparato do Estado. Além de ser o chefe de Estado, o presidente também é o responsável por estabelecer as políticas de governo. Ele pode vetar leis aprovadas pelo Parlamento e também aponta os chefes de governo regionais.

O primeiro-ministro toca o dia-a-dia do governo, sob orientação das políticas presidenciais. O presidente tem o poder, inclusive, de destituir o primeiro-ministro.

Mas, dessa vez, a grande diferença é que o primeiro-ministro será uma figura bem mais proeminente do que o presidente, caso Putin seja confirmado no posto.

Ao fim de seu segundo mandato, Putin deixa o poder com taxa de aprovação de 85%, segundo uma pesquisa do Centro Levada.

Para maior parte dos analistas russos, essa é uma situação que nunca existiu no país, e ninguém sabe precisar como de fato a Rússia será governada.

'Presidentes'

"De acordo com os poderes dados pela Constituição, o presidente é quase um czar. Então, com uma pessoa forte como o Putin, talvez seria um passo - não pensado pelos políticos - a uma democracia mais equilibrada, a uma divisão mais equilibrada entre o Executivo e os outros ramos do poder", afirma o analista russo Anatoly Sosnovsky.

Já o jornalista Rodrigo Fernandez, correspondente do jornal El País, diz que "a maioria acredita que, no final, manda quem está no Kremlin (o presidente). Aqui há uma grande tradição nesse sentido".

Dmitry Medvedev e Vladimir Putin trabalham juntos desde os anos 90, quando assessoraram o prefeito de São Petersburgo.

Em 2000, Medvedev foi chefe da campanha presidencial de Putin. Em 2003, ele passou a chefe de gabinete.

"Eu o conheço há mais de 17 anos, eu tenho trabalhado de perto com ele todos esses anos", disse Putin ao apoiar a candidatura de Medvedev.

Muitos acreditam, inclusive, que ele tenha dado o seu apoio a um aliado tão próximo justamente para continuar tendo um papel importante e, eventualmente, tentar novamente a Presidência em quatro anos.

Mas e se os dois se desentenderem? Na opinião de Fernández, no caso de uma eventual confrontação, Medvedev triunfaria. "Estando no Kremlin, Medvedev poderia mostrar sua verdadeira face, e os que o conhecem dizem que é um homem muito ambicioso, muito vaidoso. E muitos acreditam que ele poderia vir a enfrentar Putin, se isso fosse necessário, mas isso pode não ser necessário", afirma.

"(Eles) têm idéias semelhantes. À primeira vista, não há motivos para um conflito sério", completa.

Já o jornalista Sergey Dorenko, da Rádio Echo de Moscou, considerada independente, acredita que Medvedev buscará uma crise para poder se livrar do 'acordo' que travou com Putin.

"Só em uma crise, econômica, política ou social, ele poderá se desfazer desse pacote de pré-condições (que travou com Putin). Então, ele buscará essa crise porque a carga de Putin será muito pesada. Ele poderá agüentar quanto tempo, um mês, dois meses, seis meses, um ano ou dois anos? Não sabemos", afirma.

O futuro da dupla Medvedev-Putin pode ser imprevisível, mas os eleitores que irão votar em Medvedev por causa da popularidade de Putin não parecem preocupados com as formalidades ou tramas do poder.

Entrevistada pela BBC Brasil nas ruas de Moscou, a aposentada Tatiana Zhukova, de 63 anos, se referiu aos dois como "os nossos presidentes."

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