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Atualizado às: 26 de fevereiro, 2008 - 09h10 GMT (06h10 Brasília)
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Obama na mira
Lucas Mendes

Três verdades: a mídia americana não gosta de Hillary Clinton, simpatiza com McCain e adora Barack Obama. E uma quarta: não confie na mídia.

Hillary fala em tom de despedida ou desespero nos comícios, sem saber se ataca ou abraça Obama.

No final do último debate, ela foi aplaudida de pé quando ofereceu o coração ao senador:

“Fico honrada de estar ao lado de Obama. O povo americano no fim das contas, estará bem servido”. E estendeu a mão para o cumprimento.

Momento político sem preço.

Na realidade ela esta tão pobre que vários fornecedores de alimentos
e hospedagem processaram a campanha dela para receber seus pagamentos.

Obama, pelas pesquisas, está cada dia mais perto da vitória e se ganhar no Texas ou em Ohio, bye bye Hillary, mas ele já entrou na alça de mira. Era só uma questão de tempo.

David Brooks, um colunista conservador, moderado e influente do New York Times até recentemente escrevia louvações obamianas.

“Ele é um líder comunitário que acredita que, para fazer mudanças políticas profundas, é preciso começar pelas comunidades”. Reconhecia o irresistível apelo do senador.

Na semana passada escreveu uma coluna sobre o fim do efeito Obama como se o discurso dele fosse uma droga capaz de provocar desmaios em comícios, choro diante das telas de televisão, como uma química no cérebro que alimenta sensações eufóricas de mudança histórica e salvação pessoal.

Agora, o efeito da droga está passando e os obamistas estão sentindo o “Obama Comedown Syndrome”, semelhante à sensação do fim do efeito do crack. Você precisa de cada vez mais da droga para se manter enfeitiçado.

Há críticas menos abstratas e mais objetivas. A inexperiência é uma delas, ilustrada pela entrevista de um deputado estadual, partidário de Obama, que numa rede nacional de televisão não soube dizer uma contribuição importante do senador na Câmara de Illinois ou no Senado. Nada.

A palavra do senador esta em dúvida e não é pela acusação de plágio num comício. Ambos, ele e o senador McCain, prometeram juntos limitar os gastos de campanha aos fundos públicos.

Nenhum dos dois imaginava que entraria tanto dinheiro nos cofres neste final de primárias e Obama propôs uma revisão do acordo.

McCain acusou o adversário de falar a “língua nova” da velha Washington.

E há o caso do Tony Rezko, que deve ir a julgamento em março. Resko, um imigrante sírio, fez fortuna em Chicago construindo apartamentos para pobres e cadeias de restaurantes baratos. Mas seu investimento com maior retorno foi na compra de políticos, entre eles o governador.

No começo da década de 90, Rezko se aproximou de Barack Obama, então líder comunitário, recém-formado em Harvard e com possibilidades políticas interessantes. Obama trabalhou como advogado de Rezko em alguns projetos e o milionário se tornou um dos maiores doadores das campanhas de Obama.

Além disto, tiveram uma conexão imobiliária. Quando Obama quis comprar uma casa por um US$ 1,6 milhão, o proprietário disse que só aceitaria a oferta se ele comprasse também o lote ao lado.

Rita Rezko, mulher de Tony, comprou o lote e depois revendeu um quarto do terreno para Obama a preço bem abaixo do mercado.

Em todas suas campanhas para a Câmara de Illinois e para o Senado, Obama já recebeu mais de US$ 150 mil de Rezko que, no ano passado, foi indiciado por fraude e outros crimes.

Obama já transferiu mais de US$ 40 mil que recebeu de Rezko para organizações de caridade.

O julgamento em março envolve dezenas de políticos, inclusive o
governador de Illinois, acusado de receber mais de meio milhão de
dólares de Rezko em troca de favores.

Obama admitiu “erro” de julgamento pela conexão com Rezko, mas mantém sua inocência.

Num julgamento deste tipo nunca se sabe que revelações podem surgir.

O esquerdismo de Obama cresce dia a dia na campanha republicana. Ele é o campeão do voto liberal no Senado.

Muitos ricos gostam dele, mas coçam a cabeça. Entre as promessas de Obama, uma das primeiras será subir o imposto sobre ganho de capital de 15 % para 28%. Os jovens preferem Obama, mas até que ponto o voto deles é confiável?

A foto de Obama vestido de somali é uma cartada da campanha de Hillary ou de McCain?

A decadência de Hillary pode despertar remorsos e provocar milagres no Texas e em Ohio, mas se o momentum Obama nã for contido nos dois Estados ele vai encontrar obstáculos muito maiores pela frente.

Apesar do calor político, estas primárias são apenas o aquecimento. Depois o jogo vai queimar de verdade.

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