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O bife de Obama | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Correndo atrás, com menos dinheiro, voluntários e organização, a senadora partiu para o ataque em Wisconsin. Uma vitória no Estado seria uma surpresa e poderia não só conter como reverter o embalo Obama. Uma derrota em Wisconsin por uma pequena margem manteria vivas as esperanças dela para Ohio e Texas. Uma derrota feia geraria desespero. Nos dias que antecederam a primária, um comercial atacando a credibilidade do senador sobre financiamento de campanha diminuiu a margem das pesquisas entre os dois. Nos comícios, aacusou o senador de plágio. Sem teto para crescer a solução era diminuir Obama. Nos comícios, ela passou a questionar as promessas e a poesia do senador na mesma linha que Walter Mondale usou para vencer o senador Gary Hart, o candidato inspirado, em 84: “ Onde esta o bife?” perguntava Mondale, uma frase tirada de um comercial popular de hambúrgueres. O argumento funcionou com o adversário Gary Hart, mas o bife de Mondale foi feito picadinho por Ronald Reagan que ganhou em todos estados menos Minnesota - terra de Walter Mondale - e na capital, Washington DC. Ambos mudaram a mensagem com mais ênfase na classe média – nenhum candidato tem planos para os 17% dos pobres - contra os benefícios dos ricos, as influência das grandes empresas, em especial energia e a indústria farmacêutica. Para provar que tem mais substância, Hillary Clinton publicou um documento de doze páginas com os seus planos econômicos e o senador respondeu com outro documento, “ Keeping America’s Promise” (“Cumprindo a Promessa Americana”), com seu plano econômico. O dele e o dela são muito parecidos, e, com as crises na economia, o déficit e a ameaça de recessão na paisagem, nenhum dos dois é realista, mas isto é irrelevante. Os americanos não vão a comício ouvir detalhes de planos econômicos. Eles querem esperança, emoção, entusiasmo, e o mágico Barack Obama tem muito No final “limpam” o recinto, não sobra um cartaz, um panfleto, um button. Nos de Hillary, não levam nada para casa. Com as pesquisas incapazes de prever o vencedor, os eleitores de Wisconsin foram às urnas em números recordistas. Nas primárias anteriores, 25% era comparecimento normal, mas nesta, esperavam 35% ou mais e as expectativas duraram pouco. Meia hora depois do fechamento das urnas, as redes mostravam Obama com mais de 10% de vantagem. A tática do ataque da senadora fracassou e ela agora precisa da chamada “fire wall”, a parede de fogo Ohio/Texas, para conter o momentum Obama: vencer nos dois Estados e depois conquistar a Pensilvânia. Obama quebrou todas as demografias em Wisconsin. O voto dos católicos, 37% dos eleitores de Wisconsin, um milagre que poderia salvar a senadora, não aconteceu. Obama ganhou entre os eleitores que só decidiram nas últimas semanas - há um mês, Hillary liderava nas pesquisas no Estado -, entre os que acham que a economia é o maior problema do país e entre os que vêem nele mais chances de derrotar um republicano em novembro e unir o país. Hillary pediu um bife e Obama mostrou um boi. Quase 20 pontos percentuais de vantagem. Dia quatro de março ela corre o risco de ser tostada na parede de fogo. |
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