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Atualizado às: 11 de fevereiro, 2008 - 17h36 GMT (15h36 Brasília)
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Brasil condena ataque no Timor e põe embaixadas em alerta
Jose Ramos-Horta
Ramos-Horta recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1996
O governo brasileiro divulgou uma nota nesta segunda-feira em que expressa "grande preocupação" com o atentado que feriu gravemente o presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta.

"O Brasil condena veementemente o recurso à violência e conclama todas as forças políticas e de segurança de Timor Leste a envidarem renovados esforços para a manutenção da ordem e a solução das questões políticas pela via do entendimento e do diálogo pacífico", diz o comunicado.

A nota distribuída à imprensa pelo Itamaraty informa ainda que as embaixadas de Austrália e Nova Zelândia foram colocadas "em prontidão" para prestar eventual assistência a brasileiros que estejam no Timor.

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Celso Amorim enviaram mensagens de solidariedade ao governo e ao povo timorenses, desejando pronto restabelecimento ao presidente Ramos-Horta, ferido nos atentados", afirma o comunicado oficial.

A nota do Itamaraty refere-se ao quadro de Ramos-Horta como "estável" e diz que a situação em Díli é "de calma".

ONU e EUA

Ramos-Horta foi atingido por três tiros, um no abdômen e dois no peito, quando estava do lado de fora da sua residência. Apesar do estado ainda crítico, o presidente recupera-se bem, segundo os boletins médicos.

Antes de se eleger presidente, Ramos-Horta já era conhecido mundialmente pela sua luta pela indepnedência do Timor Leste, na época em que o pequeno país vivia sob dominação indonésia. A luta rendeu 24 anos de exílio e um Nobel da Paz em 1996 ao líder timorense.

O primeiro-ministro Xanana Gusmão, companheiro de luta de Ramos-Horta, também foi alvo de um atentado. O veículo em que estava sofreu uma emboscada na manhã de segunda-feira, quando saía de sua residência em direção ao Palácio do Governo, mas ele escapou sem ferimentos.

A ONU e os Estados Unidos também condenaram os atentados.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, referiu-se ao ataque contra Ramos-Horta como "brutal e impronunciável" e pediu calma à população timorense.

O governo americano se manifestou por meio do porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, que descreveu os ataques como tentativas de fazer o povo do Timor Leste voltar no tempo.

Com 1 milhão de habitantes, a ex-colônia portuguesa conquistou independência em 2002, depois de um plebiscito organizado pela ONU, em 1999, em que a maioria da população decidiu pelo fim da ocupação indonésia.

Gusmão anunciou nesta segunda-feira que Vicente Guterres, vice-presidente do Parlamento, assumiu a Presidência da República interinamente e decretou toque de recolher e estado de emergência de 48 horas em todo o país.

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