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Ex-exilado, Ramos-Horta é figura central em Timor Leste há 30 anos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Há mais de 30 anos, o presidente do Timor Leste e Prêmio Nobel da Paz, José Ramos-Horta, é uma figura central na vida política do país. Lutando contra a indiferença da comunidade internacional à causa independentista de Timor, ele foi um dos principais defensores da independência da ilha ocupada pela Indonésia em 1975. Quando o país cortou seus laços de dependência política com Jacarta, Ramos-Horta se tornou ministro do Exterior até a queda do governo do primeiro-ministro Mari Alkatiri em meio à instabilidade política em 2006. No período de incertezas que se seguiu à dissolução do gabinete, o vencedor do Prêmio Nobel emergiu como uma das figuras mais capacitadas a restaurar a estabilidade política do país. Foi apontado para substituir Alkatiri, tornando-se o segundo primeiro-ministro timorense pós-independência. Em maio de 2007, ele assumiu o cargo cerimonial de presidente, substituindo Xanana Gusmão, que deixava o posto para concorrer à posição de premiê. Xanana Gusmão foi eleito em junho do ano passado, em meio à esperança de melhoras na estabilidade política da nação. Pouco mais de seis meses depois, em fevereiro de 2008, ambos foram alvo de atentados perpetrados por rebeldes liderados pelo militar desertor Alfredo Reinado, cabeça do movimento que derrubou o governo de Altakiri. Gusmão conseguiu escapar ileso das balas que atingiram seu carro, mas Ramos-Horta foi baleado em sua casa, em um episódio que reacendeu temores de instabilidade política no Timor Leste. 'Montanha-russa' Em 24 anos de exílio, Ramos-Horta pressionou governos estrangeiros e a Organização das Nações Unidas (ONU) para atuarem na causa independentista timorense. No início dos anos 1970, quando Timor Leste ainda fazia parte do império português, o ativismo independentista de Ramos-Horta havia lhe rendido o rótulo de "subversivo" e sanções dentro de seu próprio país. Em 1975, a dissolução do império levou a combates entre facções rivais timorenses, muitas delas apoiadas pelo governo indonésio. Percebendo uma iminente invasão, Ramos-Horta fugiu do país, em um último esforço para persuadir a comunidade internacional de sua causa. Três dias depois, cumprindo ordens do presidente Suharto, tropas indonésias ocupavam Timor Leste, iniciando um processo de integração em que morreram 200 mil pessoas, ou metade de toda a população timorense, segundo as estimativas. Entre eles, estavam três irmãos e uma irmã de Ramos-Horta.
A partir da Austrália e dos Estados Unidos, Ramos-Horta se converteu em um dos mais duros críticos de Suharto, a cujo regime o líder timorense pedia sanções. Anos de campanha transformaram sua vida no que ele certa vez descreveu como "montanha-russa emocional". Considerado criminoso e traidor por Jacarta, Ramos-Horta dividiu em 1996 o Prêmio Nobel da Paz com o bispo Carlos Belo, líder da maioria católica timorense. Na época, o comitê do Nobel declarou esperar que sua decisão ajudasse a resolver o problema de Timor Leste "com base no direito das pessoas à auto-determinação". "Este estava para tornar-se um conflito esquecido, e queríamos contribuir para manter o ímpeto (da luta)", disse o então presidente do comitê, Francis Sejersted. A premiação atraiu atenção internacional para os esforços de Ramos-Horta. Os inúmeros documentos e reportagens sobre os abusos cometidos pelas autoridades indonésias contra opositores da ocupação mudaram uma realidade que o líder timorense descreveu como "uma nota de rodapé obscura do império colonial português". Independência A crise econômica indonésia de 1998 deu força à campanha separatista, sobretudo após a queda do governo de Suharto, em maio. No ano seguinte, 78,5% dos timorenses referendaram a independência em relação à Indonésia. Apesar da violência que caracterizou o referendo, Timor Leste obteve o direito de permanecer sob controle da ONU. Ramos-Horta retornou ao país e Xanana Gusmão, detido como líder da resistência armada timorense, ganhou a liberdade. A ilha foi declarada plenamente independente em 2002. Sob a liderança do premiê Mari Alkatiri e de seu partido, Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin), o ex-exilado se tornou chefe da diplomacia timorense.
Entretanto, quatro anos mais tarde a violência voltou a afetar Timor Leste, depois de o primeiro-ministro demitir 600 de um total de 1,4 mil membros do Exército. Pelo menos 21 pessoas morreram nos combates e outras 150 mil foram obrigadas a deixar suas casas. Mari Alkatiri renunciou em junho de 2006. Ramos-Horta foi anunciado como primeiro-ministro timorense cerca de três semanas depois. Apenas algumas semanas antes, ele vinha sendo cotado como um dos possíveis candidatos à substituição do então secretário-geral da ONU, Kofi Annan. O próprio Ramos-Horta minimizou a importância dos rumores em uma entrevista à agência AFP. "Que impressão passaria o secretário-geral se eu abandonasse meu próprio país no momento de necessidade?", ele questionou. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Após ataque, Ramos-Horta é mantido em 'coma induzido'11 fevereiro, 2008 | BBC Report Presidente do Timor Leste é baleado por rebeldes 11 de fevereiro, 2008 | Notícias Ramos-Horta visita Brasil e busca investimentos para Timor14 de fevereiro, 2004 | Notícias | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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