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Candidatos buscam voto hispânico na primária da Flórida | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A primária republicana da Flórida será disputada nesta terça-feira e os candidatos buscam, mais do que nunca, o voto da comunidade hispânica, que representa 20% da população do estado. A Flórida será um campo de batalha chave no processo eleitoral. Prova disso foi o debate, realizado em dezembro passado na capital, Miami, entre os sete pré-candidatos do partido Republicano. O mais memorável deste evento não foram as opiniões expressas pelos políticos, mas a língua do debate, conduzido em espanhol, com tradução simultânea para as respostas. Em setembro os pré-candidatos do partido Democrata realizaram um debate similar, para uma audiência também composta em sua maioria por hispânicos. Cerca de 20% da população da Flórida é hispânica (o número cresce para 60% no Condado de Miami Dade) e há muito tempo o grupo representa um papel influente - e por vezes decisivo - na política norte-americana. George W. Bush jamais teria se tornado o 43º presidente dos Estados Unidos sem o apoio de mais da metade dos eleitores hispânicos da Flórida.
Ideologia Apesar disso, o analista político Raul Pozo, ressalta que a comunidade hispânica do estado não é homogênea. "Na região central da Flórida, a maioria dos hispânicos são de Porto Rico. Alguns também são da América Central e os mexicanos estão mais concentrados no norte da Flórida. O sul do estado é composto basicamente pela comunidade cubano-americana", explica. "A diferença é a ideologia. Os cubano-americanos são mais conservadores e gostam mais dos republicanos do que dos democratas. Já os hispânicos no centro da Flórida são mais inclinados ao partido Democrata e certamente eles têm opiniões diferentes sobre as relações internacionais dos Estados Unidos", esclarece. No entanto, Pozo afirmou que as comunidades concordam sobre a importância das questões econômicas. Recessão A Flórida foi atingida pela crise econômica que atingiu o mercado imobiliário, o que provocou uma redução nas construções da região e causou desemprego em grande escala nos setores de construção e serviços. "Os hispânicos querem ver o que os políticos estão fazendo para melhorar os salários, reduzir os impostos e ajudá-los na educação. Neste sentido, a comunidade está unida", diz Pozo. Para Beth Reinhard, jornalista política do jornal Miami Herald, "a principal questão da campanha na Flórida é a economia, associada à crise imobiliária". Imigração Julio Fuentes, presidente da Câmara de Comércio Hispânica da Flórida, ressalta ainda que a imigração e a educação são questões centrais para os eleitores hispânicos. "Até o momento, um em cada quatro hispânicos abandonou a escola e isso é uma preocupação grande", disse Fuentes. Segundo ele, a imigração também é uma preocupação entre os hispânicos. "Nós queremos um pacote de reformas para imigração mais abrangente. Estamos procurando um pacote que cumpra com as necessidades dos imigrantes ilegais que se encontram no país, mas ao mesmo tempo, temos que ser inteligentes e garantir que nossas fronteiras estejam seguras", afirma. Eleições Se olharmos além das primárias para o voto nas eleições presidenciais, os hispânicos resistiriam a idéia de ter um presidente negro, ou uma mulher? Julio Fuentes e Nora Sandingo, diretora da agência de serviços sociais para imigrantes, American Fraternity, acreditam que não. "Ter uma mulher ou um afro-americano na Casa Branca, ou até mesmo um hispânico seria comum", diz Fuentes. Está claro que os votos da comunidade hispânica serão influentes e podem determinar os ânimos para a Super Terça-Feira, marcada para o dia 5 de fevereiro, quando outras comunidades hispânicas também participarão na escolha dos candidatos. Com o esforço enorme já voltado para registrar mais hispânicos para as eleições presidenciais em novembro, a batalha da Flórida - e o voto da comunidade hispânica da região - pode novamente ajudar a determinar quem será o presidente. |
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