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Atualizado às: 28 de janeiro, 2008 - 15h50 GMT (13h50 Brasília)
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Acusado de fraude bilionária admite ter escondido transações

Jerome Kerviel, acusado de causar fraude no banco Société Générale
Kerviel é descrito por conhecidos como tímido e dedicado
O francês Jérome Kerviel, operador do banco Société Générale acusado de realizar operações fraudulentas que causaram prejuízos de cerca de US$ 7 bilhões à instituição financeira, admitiu nesta segunda-feira ter escondido operações financeiras não autorizadas pelo banco.

A informação foi revelada pelo procurador da República de Paris, Jean-Claude Marin. Kerviel será formalmente investigado pela Justiça por uso de falsos documentos e por ter penetrado no sistema de segurança dos computadores do Société Générale. Segundo seus advogados, ele deverá ser indiciado em breve.

O jovem operador de 31 anos foi interrogado durante todo o final de semana pelos juízes do pólo financeiro. Nesta segunda-feira, o Ministério Público francês pediu a prisão provisória de Kerviel.

Apesar de admitir ter ocultado transações financeiras, o operador negou qualquer enriquecimento pessoal e disse ter agido de acordo com os interesses do banco.

Kerviel assegurou que suas decisões nos mercados futuros poderiam ter sido positivas e acusou o banco Société Générale de ter contribuído para ampliar as perdas gigantescas ao encerrar antecipadamente as operações, vendendo precipitadamente os contratos.

Repercussão

Nesta segunda-feira, a notícia de que um dos membros da administração do Société Générale vendeu, segundo a autoridade francesa dos mercados financeiros, 87,5 milhões de euros em ações no dia 9 de janeiro, duas semanas antes do anúncio das perdas maciças, ganhou grande repercussão na França.

Kerviel declarou durante os interrogatórios que começou a realizar essas operações a partir de 2005, criando operações fictícias cujo montante das transações atinge 50 bilhões de euros.

O procurador de Paris também afirmou que Kerviel "queria ser um operador excepcional e não teria agido para se enriquecer pessoalmente".

"Ele não agiu em seu benefício direto", afirmou o procurador de Paris. "Ele agiu como um operador, ultrapassando certas autorizações que foram concedidas, mas não agiu para desviar recursos do banco com operações fraudulentas."

"O benefício que ele esperava obter era em relação aos bônus que ele poderia obter com as transações", acrescentou Marin. "Para o ano de 2007, ele esperava receber 300 mil euros."

Crise

No domingo, a defesa de Kerviel declarou que o Société Générale pretende, com o caso, "levantar uma cortina de fumaça para encobrir perdas maiores, principalmente com os créditos subprime nos Estados Unidos".

No mesmo momento em que anunciou a fraude na semana passada, o Société Générale informou ter registrado perdas de 2 bilhões de euros em razão da crise dos créditos imobiliários de alto risco.

A ministra da Economia da França, Christine Lagarde, disse nesta segunda-feira que não há motivos para suspeitar do banco Société Générale, que teria agido, segundo a ministra, de acordo com as regras do sistema bancário.

O operador corre o risco de ser condenado a 7 anos de prisão e a uma multa de quase R$ 2 milhões.

Na Bolsa de Paris, as ações do Société Générale registram seus valores mais baixos desde 2004, com uma queda de cerca de 7%.

O ex-operador Nick LeesonSociété Générale
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