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Analistas israelenses e palestinos expressam ceticismo sobre negociações de paz | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Vários analistas israelenses e palestinos, ouvidos pela BBC Brasil, não acreditam que as negociações de paz, retomadas neste mês, possam gerar resultados significativos. Para alguns, o novo processo de paz “não passa de uma fraude”, para outros trata-se de um processo de paz “imaginário” e outros dizem que a retomada das negociações para um acordo definitivo é um ato de “cinismo” por parte dos três protagonistas principais - o presidente americano, George W. Bush, o primeiro ministro de Israel, Ehud Olmert, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas. A ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, e o ex-premiê palestino Ahmed Korei, nomeados para conduzir as negociações para um acordo de paz definitivo, iniciaram uma série de encontros que supostamente devem levar à solução do conflito entre os dois povos e, segundo as palavras do presidente Bush, “à criação de um Estado palestino viável e com continuidade territorial, ao lado de Israel”. Porém vários analistas, tanto israelenses como palestinos, apontam a contradição entre os fatos concretos e os discursos de paz e chegam à conclusão de que nas circunstâncias atuais as chances da solução do conflito são poucas ou inexistentes. "Ilusão" “Quando líderes politicos criam uma ilusão, sabendo que é impossivel implementá-la, trata-se de uma fraude”, disse à BBC Brasil o sociólogo da Universidade Ben Gurion Lev Grinberg. De acordo com Grinberg, autor do livro Paz Imaginada e Discurso de Guerra, tanto Olmert como Abbas sabem que não serão capazes de chegar a um acordo e muito menos de implementá-lo, “pois não têm a força politica e o apoio popular necessários”. “Os líderes alimentam uma ilusão para se manter no poder e o principal interessado na manutenção desta ilusão é o presidente Bush, que precisa mostrar ao mundo árabe algum avanço na solução da questão palestina, principalmente depois de seu fracasso no Iraque”, disse Grinberg. Os analistas ouvidos pela BBC Brasil são unânimes em relação à “fraqueza e incapacidade” de Olmert e Abbas de obterem resultados significativos e apontam principalmente a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e a cisão entre o Fatah e o Hamas como obstáculos imediatos a qualquer avanço. De acordo com Hagit Ofran, que chefia o departamento de monitoramento dos assentamentos israelenses do grupo Paz Agora, além dos 150 assentamentos considerados “legais” (onde moram cerca de 300 mil colonos israelenses), existem 106 assentamentos ilegais na Cisjordânia e o governo de Ehud Olmert não retirou nenhum deles, apesar do compromisso de desmantelá-los segundo o Mapa da Paz. "Vista grossa" Ofran afirma que o governo israelense faz “vista grossa” à construção de assentamentos ilegais e que 3 mil colonos já se estabeleceram em locais que embora não tenham a permissão oficial do governo israelense, estão se expandindo com o financiamento do governo. “Os israelenses pensam que estão enganando o mundo, mas enganam só a si mesmos”, afirmou editorial do jornal Haaretz. “Os assentamentos ilegais são a essência do blefe israelense. Por 40 anos Israel vem colonizando os territorios ocupados enquanto finge que está disposto a se retirar a qualquer momento, assim que houver alguma chance para o processo de paz. Com suas próprias mãos Israel torna a solução de dois estados irrelevante enquanto declara que é a única solução possível”, concluiu o editorial. “O cinismo de Olmert é impressionante”, escreve o analista Miron Benvenishti. “Ele realiza negociações sabendo que é incapaz de chegar a um acordo e muito menos de implementá-lo.” Ghassan Hatib, diretor do Centro de Pesquisas de Jerusalém, disse à BBC Brasil que “com a cisão entre o Fatah e o Hamas, o presidente Mahmoud Abbas é fraco demais para obter qualquer resultado significativo, pois nem controla a Faixa de Gaza”. Para Hatib, “Abbas espera que o processo de paz o fortaleça internamente, mas ninguém acredita em algum resultado”. “Os políticos precisam dar a impressão de que estão fazendo algo para se manter no poder, um politico não pode dizer ao seu povo que não há esperança”, disse Hatib. Hatib também afirma que uma das motivações principais para o recente envolvimento do presidente Bush na questão israelense-palestina é de caráter eleitoral. “Uma das principais criticas a Bush foi por não ter interferido de maneira mais enérgica no processo de paz, e agora, quando ele já é um pato manco, tenta melhorar a imagem do Partido Republicano com sua visita tardia ao Oriente Médio”. |
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