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Atualizado às: 09 de janeiro, 2008 - 16h03 GMT (14h03 Brasília)
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Clínicas de aborto na Espanha fazem greve contra 'perseguição'

Manifestação de católicos no centro de Madri no dia 30 de dezembro de 2007
Manifestação de católicos no centro de Madri no dia 30 de dezembro de 2007
As clínicas oficiais de aborto da Espanha estão em greve a partir desta quarta-feira até o próximo dia 12 de janeiro.

Mais de 50 hospitais permanecerão fechados para denunciar o que consideram perseguição de manifestantes anti-aborto, incitados, segundo os grevistas, pela Igreja Católica.

A Associação de Clínicas Credenciadas para a Interrupção da Gravidez, responsável pela greve e por 98% dos abortos feitos na Espanha, pede garantias jurídicas para continuar trabalhando.

"Estamos sofrendo perseguição sistemática, inspeções abusivas… O que queremos é ter garantido o direito das mulheres a praticar o aborto e a segurança para os profissionais que desempenham estas funções", disse a porta-voz da associação, Francisca García.

No mês passado duas clínicas madrilenhas foram apedrejadas e os funcionários agredidos por ativistas anti-aborto católicos.

A polêmica entre o Vaticano e o governo espanhol aumentou depois de uma manifestação da Igreja Católica no dia 30 de dezembro em Madri. O bispo de Valencia e membro do Opus Dei, Agustín García Casco, disse que "com o casamento entre homossexuais, o aborto e o divórcio, acabaremos dissolvendo a democracia".

No mesmo evento público, o Papa Bento 16 apareceu em um telão apoiando o clero espanhol e ratificando "que as palavras da igreja na Espanha são as do Papa".

Governo

A resposta do primeiro-ministro José Luiz Rodríguez Zapatero foi que "ninguém pode impor a fé, a moral e os costumes".

E advertiu a igreja que o governo "não vai dar nenhum passo atrás em suas leis que estendem direitos individuais por mais que isso chateie a certos setores".

As reclamações das clínicas de aborto começaram em novembro, depois que um médico foi preso e os quatro hospitais dele em Barcelona acabaram fechados, sob acusação de atividades irregulares.

Dias depois o governo de Madri fechou outras duas clínicas por problemas administrativos.

"De repente passamos a ter acusações constantes e ficou impossível trabalhar em paz", explicou Isabel Iserte, vice-presidente da Federação Estatal de Planejamento Familiar, que pediu reunião com o ministro da Saúde, Bernat Soria e ameaça estender a greve por tempo indeterminado.

"Sete dias de espera para abortar pode ser muito tempo. E estas datas são especialmente complicadas porque muitas clínicas fecham para as festas de fim de ano", completou Iserte.

Na Espanha o aborto é permitido em qualquer fase da gestação, desde que autorizado por um médico e um juiz, que confirmem o risco de vida para a gestante.

Só no ano passado 101.592 mulheres abortaram no país. Pelas estimativas da Associação de Clínicas Credenciadas, mais de 2 mil gestantes serão afetadas pela greve.

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