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Ministro da Saúde diz que aborto é 'tendência mundial' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro brasileiro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que o aborto é uma "tendência mundial", mas que caberá à sociedade brasileira "flexibilizar" ou "manter" a legislação em vigor no país. Temporão participou, em Buenos Aires, na Argentina, da Conferência Internacional da Saúde para o Desenvolvimento ("De Alma Ata à Declaração do Milênio") e falou à BBC Brasil pouco antes do fim encontro, na sexta-feira. "Portugal demorou 12 anos entre um plebiscito e outro (para adotar a nova legislação). A Europa inteira, com exceção da Irlanda, já tem legislação especifica sobre essa questão. É uma tendência mundial", disse. "Mas em que momento a sociedade brasileira vai decidir pela flexibilização do que a lei determina hoje é uma interrogação. Pode ser que a população decida manter a legislação atual", afirmou Temporão. O ministro contou que conversou sobre o assunto com seu colega de Portugal em um jantar nesta semana, em Buenos Aires. "Em Portugal, já foram instaladas 38 clínicas (de aborto) desde a aprovação da lei", disse. A interrupção da gravidez passou a ser autorizada em Portugal em março, após a realização de um plebiscito popular que aprovou a iniciativa, em fevereiro. Temporão disse que em Portugal a legislação definiu que o aborto é possível durante as dez primeiras semanas de gestação e que em outros países este limite chega a 12 semanas. "Mas o Brasil é o Brasil e Portugal é Portugal." Saúde pública Segundo Temporão, o importante é que foi aberto o debate no Brasil. "Tiramos o véu que cobria uma questão importante, e a sociedade está discutindo, de maneira madura, os prós e contras da questão", disse. Temporão afirmou ainda que o governo brasileiro não vai intervir neste processo, que está sendo analisado no Congresso Nacional. Quando questionado se acredita que o aborto será adotado no Brasil, o ministro respondeu: "Pode ser que sim e pode ser que não". O ministro disse que "ninguém" é a favor do aborto, mas que "ninguém" pode negar que trata-se de um problema de saúde pública. "Se nós todos concordarmos que é problema de saúde pública, o governo pode adotar medidas de planejamento (familiar), e é evidente que isso vai reduzir o número de gravidez indesejada", disse. "As mulheres ricas e de classe média resolvem isso (aborto ou prevenção) da melhor maneira. As pobres se colocam em situação de risco e podem ficar estéreis ou acabar morrendo. E essa é a questão que deve ser discutida." Temporão reiterou suas críticas contra os homens que, na maioria dos casos, são os que condenam o debate sobre o aborto no Brasil. "Até onde eu sei, não existe nenhum fenômeno de homem engravidando", disse. Para o ministro, os que rejeitam a proposta são homens "conservadores", prescrevendo para a sociedade como ela deve regularizar ou controlar, como afirmou, o "corpo das mulheres". O ministro defendeu que as mulheres expressem o que pensam sobre o aborto – por serem as mais interessadas nesse debate. |
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