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Britânicas de origem asiática viajam à Índia para abortar meninas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A pressão cultural para ter um menino está levando britânicas de origem asiática a viajarem até a Índia para abortar meninas, de acordo com informações apuradas pela BBC. Uma pesquisa da Universidade de Oxford indica que 1,5 mil meninas "desapareceram" das estatísticas de nascimentos na Inglaterra e no País de Gales desde 1990. A professora Sylvie Dubuc, que estuda geografia humana e populações em Oxford, analisou as taxas de natalidade entre diferentes grupos étnicos na Inglaterra e no País de Gales. "Segundo meus cálculos, cerca de 1,5 mil meninas estão faltando", disse. "É substancial se comparamos com o número total de nascimentos." Dubuc descobriu que a proporção de meninos em relação a meninas aumentou durante o período de forma anormal. A explicação mais provável, segundo a pesquisadora, parece ser o aborto seletivo por sexo da criança, praticado por uma minoria das mães nascidas na Índia. Mas este tipo de aborto tem sido praticado não apenas por mulheres nascidas na Índia, mas também por britânicas de origem asiática. Três filhas "Meena", uma britânica de origem asiática nascida e criada na Inglaterra, que falou com a BBC sem se identificar, tem três filhas, todas com menos de 13 anos. Quando engravidou novamente, em 2006, tentou descobrir o sexo da criança. "Temíamos o que poderia acontecer se fosse outra menina, pois obviamente isso traria conseqüências para a família, além das implicações financeiras, então decidimos descobrir o que iríamos ter desta vez", disse. Segundo Meena, a cultura indiana ainda pode exercer grande pressão nas mulheres para que elas tenham meninos, para continuar com o nome da família e porque meninas são consideradas uma carga financeira maior para a família. E esta pressão atinge também mulheres que vivem na Grã-Bretanha. "Tudo é decisão do marido e, geralmente, é a família do marido que exerce esta pressão", afirmou. Muitas autoridades britânicas se recusam a comunicar aos casais o sexo da criança. O casal viajou até a Índia, fez os exames em Nova Déli e descobriu que teria outra menina. Os dois decidiram pelo aborto. "Foi muito perturbador", conta Meena. "Eu não queria que minhas outras filhas soubessem e, não digo isso de uma forma ruim, mas meu marido parecia um tanto tranqüilo com tudo isso." Aborto por sexo O aborto seletivo por sexo - ou feticídio feminino - é ilegal na Índia desde a década de 1980. Fazer o ultrassom para descobrir o sexo da criança também é contra a lei. Mas a lei simplesmente levou os pais a continuarem com estas práticas de forma ilegal. Estatísticas da ONU afirmam que 750 mil meninas são abortadas todos os anos na Índia. E, agora, há sinais de que mulheres indianas na Grã-Bretanha estão viajando até o país para praticar estes abortos. Meena afirma que não é a única e diz conhecer outras mulheres que fizeram o mesmo. Mas o assunto ainda é um tabu. "Ouvi a respeito de outras pessoas que fizeram isso, mas, se você começa a mostrar interesse neste tipo de coisa, especialmente se você já tem três filhas, as pessoas começam a pensar 'Ah, sim, ela deve estar interessada nisto também', então você tenta se distanciar e lidar com isso sozinha." Meena fez o aborto há um ano e afirma que se arrepende, mas "não teve escolha". Ela diz temer a possibilidade de um outro aborto e como isso poderia afetar sua saúde. "Se decidirmos tentar outro filho, sei que terei que passar por tudo isso de novo", afirma. |
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