BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 08 de janeiro, 2008 - 10h08 GMT (08h08 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Exportação brasileira de commodities tem maior nível desde 86

Navio (arquivo)
Ferro, petróleo, frango e café estão entre as principais exportações
A exportação de produtos básicos brasileiros, ou commodities, chegou a 31,7% do total no ano passado, a maior proporção desde 1986.

Os produtos básicos representavam 32,6% da pauta brasileira em 1986, caíram para 30,6% no ano seguinte e continuaram em queda até chegar a 22,6% em 2000, quando voltaram a subir.

Os dados são da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), e os números do ano passado referem-se ao período entre janeiro e novembro, já que os dados totais do ano ainda não foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Nos anos 70, a proporção dos produtos básicos era bem maior. Em 1977, esses produtos representavam 57,4% da pauta brasileira.

Minério e alimentos

Os principais produtos básicos exportados pelo país são minério de ferro, petróleo bruto, carne de frango, café em grão, carne bovina, soja e milho.

Participação de commodities na exportação brasileira
1986 - 32,6%
1987 - 30,6%
1988 - 27,9%
1989 - 27,8%
1990 - 27,8%
1991 - 27,6%
1992 - 24,7%
1993 - 24,3%
1994 - 25,4%
1995 - 23,5%
1996 - 24,6%
1997 - 26,9%
1998 - 25,1%
1999 - 24,6%
2000 - 22,6%
2001 - 26,2%
2002 - 27,4%
2003 - 28,8%
2004 - 29,5%
2005 - 29%
2006 - 29,1%
2007 - 31,7%
Fonte: Funcex

Ao mesmo tempo em que aumentou a exportação de produtos básicos, caiu a importância dos manufaturados na pauta de exportações brasileira.

A queda tem sido constante desde 2000, quando os industrializados representavam 59,2% do total. No ano passado, a proporção foi de 52,5% no dado acumulado até novembro.

A fatia dos semimanufaturados ficou em 13,7%, bastante inferior ao pico de 19,5% verificado em 1995.

Apesar da queda proporcional, o volume de exportações em dólares tem crescido desde 1990, com uma pequena redução de 1999, já recuperada no ano seguinte.

Demanda e câmbio

De acordo com o economista Chau Kuo Hue, da consultoria LCA, o aumento das exportações de produtos básicos deve-se a uma combinação de preços internacionais favoráveis, com o aumento da demanda internacional, e à capacidade brasileira de aumentar sua produção agrícola e de minério de ferro e petróleo.

Além disso, segundo o economista, o crescimento do consumo e o real valorizado em relação ao dólar tornaram mais atrativo para as indústrias privilegiar o mercado interno em vez de se esforçar para exportar.

"Para o lado dos básicos, a situação é positiva, porque o Brasil é muito competitivo, e este mercado deve continuar crescendo", diz Chau. "Mas, por outro lado, o ideal seria manter o ritmo de crescimento também nos manufaturados."

A economista Leila Harfuch, pesquisadora sênior do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), entidade mantida pelo setor de agronegócio dedicada a pesquisas e estudos sobre comércio e negociações internacionais, considera positivo o crescimento da exportação de produtos básicos.

"É positivo porque o Brasil é um dos poucos países que têm a possibilidade de aumentar a oferta de alimento, em demanda no mundo", afirmou. "Mas é claro que se houvesse um esforço maior para exportar produtos de maior valor agregado seria melhor."

O economista-chefe da Funcex, Fernando Ribeiro, diz que o problema é que se o mercado doméstico continuar crescendo e as indústrias conseguiram canalizar para ele toda a produção, corre-se o risco de perder exportações em setores como automóveis, por exemplo.

"O setor industrial brasileiro tem um histórico de preferir o mercado doméstico e só exportar o excedente", afirma. "Se não for investimento novo, o excedente fica cada vez menor, até que toda a produção seja destinada ao mercado interno."

Divisas

O problema desta estratégia, diz Ribeiro, é que ela pode satisfazer aos interesses da empresa, mas é prejudicial ao país, que perde as divisas da exportação.

Ele diz que a concentração das exportações nos produtos básicos é ruim para o país, porque a economia fica dependente do desempenho de alguns poucos produtos, mas não concorda com o argumento de alguns economistas, de que este movimento pode levar a desindustrialização.

"É possível ter uma indústria nacional, suprindo o mercado interno, sofrendo a concorrência do importado, mas que não se dedique à exportação", afirma.

Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o real valorizado é o maior empecilho às exportações de bens industrializados.

"Não fosse o problema do câmbio, estaríamos vendendo muito mais em todo o mundo e, claro, gerando mais emprego e renda aqui no Brasil", afirmou recentemente o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Sapato brasileiro (divulgação)Comércio
Brasil quer vender calçados de luxo para a China.
Avião da EmbraerAviões
Brasil e OCDE firmam acordo para nivelar financiamento.
usina de etanolEtanol
Parceria sino-brasileira criará 2ª maior usina do Brasil.
Carne brasileiraCarne
Comissária da UE quer inquérito sobre produto do Brasil.
George W. Bush e Luiz Inácio Lula da SilvaBiocombustíveis
Parceria de etanol não prevê exportação para os EUA.
OMC
Emergentes têm maior fatia do comércio mundial desde 1950.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade