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Atualizado às: 26 de dezembro, 2007 - 19h27 GMT (17h27 Brasília)
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Procurador quer ajuda do Brasil contra acusados da Operação Condor

Manifestação de familiares e amigos de pessoas desaparecidas durante o regime militar no Chile
Justiça italiana pediu também a prisão de 22 chilenos
O procurador da República italiano Giancarlo Capaldo pediu nesta quarta-feira, pela primeira vez, a colaboração do governo do Brasil para interrogar e facilitar a extradição de brasileiros acusados de envolvimento na Operação Condor.

Na última segunda-feira, a juíza italiana Luisanna Figliolia pediu a prisão de 140 pessoas suspeitas de envolvimento na operação, incluindo 11 brasileiros, 61 argentinos, 32 uruguaios, 22 chilenos e cidadãos de outros países.

Todos são acusados de co-responsabilidade no desaparecimento de cidadãos de origem italiana durante o esquema de repressão a opositores de esquerda que uniu os governos militares latino-americanos nas décadas de 70 e 80.

"Assim como os parentes têm o direito de saber porque as vítimas da ditadura desapareceram, é importante que os culpados paguem por seus erros, mesmo que seja 20 ou 30 anos depois", disse Capaldo, em sua sala no Tribunal de Justiça de Roma.

"Esse processo nasceu na Itália porque os países unidos em torno da Operação Condor decidiram não abrir investigações sobre o assunto", acrescentou o procurador. "A Itália está fazendo o possível para evitar a impunidade e para que operações como essa não voltem a acontecer."

Colaboração

A informação inicial era de que a lista incluía 13 brasileiros, dois a mais do que a relação apresentada à BBC Brasil pelo procurador.

O processo chegou a conter quase 200 acusados, mas foi diminuindo porque, ao longo dos anos, muitos acabaram morrendo - como o ex-presidente João Baptista Figueiredo, que governou o Brasil entre 1979 e 1985, e o ex-presidente chileno Augusto Pinochet.

De acordo com o procurador, alguns nomes foram retirados da lista depois que os responsáveis pela investigação na Itália receberam uma confirmação de que esses suspeitos já estavam mortos.

Brasileiros com prisão pedida na Itália
Carlos Alberto Ponzi - ex-chefe do SNI em Porto Alegre
Agnello de Araújo Britto - ex-superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro
Antônio Bandeira - ex-comandante do 3º Exército
Henrique Domingues - ex-comandante do Estado Maior do 3º Exército
Luís Macksen de Castro Rodrigues - ex-superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul
João Leivas Job - ex-secretário de Segurança no Rio Grande do Sul
Átila Rohrsetzer - ex-diretor da Divisão Central de Informações
Marco Aurélio da Silva Reis - ex-diretor do Dops no Rio Grande do Sul
Octávio de Medeiros - ex-ministro do Serviço Nacional de Informações
Euclydes de Oliveira Figueiredo Filho - ex-diretor e comandante da Escola Superior de Guerra e irmão do ex-presidente Figueiredo
Edmundo Murgel - ex-secretário de Segurança no Rio de Janeiro

Entre os brasileiros, a lista inclui nomes como Octávio de Medeiros, ex-ministro do Serviço Nacional de Informações (SNI), os coronéis Carlos Alberto Ponzi e Luís Macksen de Castro e os generais Euclydes de Oliveira Figueiredo Filho (irmão do ex-presidente Figueiredo) e Henrique Domingues.

A relação de brasileiros que tiveram pedido de prisão decretada apresenta ainda os nomes de Agnello de Araújo Britto (ex-superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro), Edmundo Murgel (ex-secretário de Segurança do Rio), Antônio Bandeira (ex-comandante do 3º Exército), João Leivas Job (ex-secretário de Segurança do Rio Grande do Sul), Átila Rohrsetzer (ex-diretor da Divisão Central de Informação) e do ex-delegado gaúcho Marco Aurélio da Silva Reis.

Capaldo diz esperar que principalmente os governos de Argentina, Chile e Uruguai - considerados pelo procurador os países que mais sofreram com a Operação Condor - ajudem de maneira mais efetiva.

O procurador também disse que deve pedir ao Ministério da Justiça da Itália que formalize os pedidos de extradição para que os acusados possam ser julgados na Itália.

"A Itália não quer passar por cima da soberania de nenhum país", afirmou. "Se forem abertos processos contra essas pessoas, ficaremos muito felizes que elas sejam julgadas em seus países de origem."

Investigações

As investigações na Itália começaram em 1999, com base em denúncias apresentadas por familiares de 25 italianos que desapareceram no período da repressão de regimes militares na América Latina.

Todos acusados tiveram cargos importantes nas juntas militares e serviços de inteligência nos governos militares da região e enfrentam acusações de crimes pequenos a homicídios múltiplos com agravantes, massacres e seqüestros.

Apenas um dos acusados está preso e deverá ser interrogado em Roma nesta quinta-feira. É o uruguaio Nestor Jorge Fernandez Troccoli, que trabalhava para o Serviço Secreto da Marinha do Uruguai e é acusado de envolvimento no desaparecimento e na morte de quatro italianos.

O procurador Giancarlo Capaldo afirma que, a partir de documentos colhidos nos últimos oito anos, foi possível reunir evidências que comprovam a colaboração dos governos de sete países - Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia, Paraguai e Peru - para a eliminação física de opositores de esquerda.

Entre os casos investigados estão o dos argentinos Horacio Domingos Campiglia (detido no Rio de Janeiro em março de 1980, junto com Monica Susana Pinus de Binstock) e Lorenzo Viñas (visto pela última vez em junho de 1980, em Uruguaiana-RS).

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