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Atualizado às: 23 de novembro, 2007 - 06h56 GMT (04h56 Brasília)
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Falta de acordo gera impasse em eleição presidencial no Líbano
O presidente do Líbano, Emile Lahoud
Prazo para escolha de sucessor de Lahoud termina à meia-noite
No último dia do prazo para a escolha de um novo presidente, que termina à meia-noite desta sexta-feira, o Líbano enfrenta o temor de mergulhar em uma crise política ainda mais profunda caso os grupos rivais que disputam o cargo não cheguem a um acordo.

A votação no Parlamento está marcada para as 13h no horário local (9h em Brasília), 11 horas antes do final do mandato do atual presidente, Emile Lahoud.

No entanto, ministros de Relações Exteriores da França, da Itália e da Espanha, que estão no Líbano há vários dias para atuar como mediadores entre os grupos rivais, já manifestaram dúvidas sobre a possibilidade de um acordo.

O chanceler italiano, Massimo D´Alema, afirmou nesta quinta-feira que será difícil conseguir eleger um novo presidente dentro do prazo.

O ministro francês, Bernard Kouchner, disse no entanto que a situação é "complicada", mas que "um milagre ainda é possível".

Segundo a correspondente da BBC em Beirute, Kim Ghattas, o impasse aumentou o temor de que a crise no país se aprofunde, inclusive com a possibilidade de que a oposição crie um governo rival, como ocorreu durante a guerra civil.

Regras

Esta é a quarta tentativa de eleger um novo presidente no Líbano nos últimos dois meses. As tentativas anteriores fracassaram devido à rivalidade entre facções apoiadas pelo Ocidente e grupos pró-Síria.

No Líbano, o candidato precisa de uma maioria de dois terços para ser eleito presidente.

Os principais candidatos
Nassib Lahoud: É o candidato do governo. Importante industrial libanês, já foi embaixador nos Estados Unidos
Michel Aoun: Líder da oposição cristã. Ex-comandante militar, lutou na guerra civil. Voltou do exílio em 2005
Michel Suleiman: Comandante do Exército desde 1998. É necessária uma emenda constitucional para que possa ser eleito
Riad Salameh: Presidente do Banco Central desde 1993. Muito respeitado no país e no exterior. Também é necessária uma emenda constitucional para que possa ser eleito
Boutrous Harb: Candidato pró-governo. Já ocupou o cargo de ministro
Jean Obeid: Possível candidato de consenso. Foi ministro de Relações Exteriores de 2003 a 2004

Essa regra impede que o grupo anti-Síria, que comanda o Parlamento com pequena maioria, possa garantir a vitória de seu candidato.

É, portanto, necessário um acordo com a oposição, mas até agora os grupos rivais não conseguiram escolher um candidato de consenso.

Além disso, a oposição já avisou que poderá boicotar a sessão desta sexta-feira, o que faria com que o quórum mínimo não fosse atingido e a votação fosse invalidada.

De acordo com o Artigo 62 da Constituição libanesa, caso o mandato do atual presidente termine sem que nenhum candidato seja eleito, seus poderes serão automaticamente transferidos para o governo do primeiro-ministro Fouad Siniora, que pertence à facção anti-Síria.

Lahoud, no entanto, que pertence ao grupo pró-Síria, já disse que não pretende entregar o poder a Siniora e que deverá nomear o comandante do Exército, o general Michel Suleiman, como seu sucessor temporário.

Preocupação

Nesta quinta-feira, o líder de oposição cristão Michel Aoun, um dos candidatos, propôs um acordo pelo qual um presidente interino seria escolhido para ocupar o cargo até as eleições parlamentares, marcadas para 2009.

O partido que controla o Parlamento, porém, considerou a proposta inconstitucional.

Segundo a correspondente da BBC em Beirute, a situação no Líbano é motivo de preocupação internacional.

Países como Estados Unidos, Rússia, Síria e Irã acompanham com interesse o desenrolar das eleições.

Na segunda-feira, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, telefonou para os principais líderes políticos libaneses para discutir a questão.

Em Beirute, o Exército já reforçou sua presença nas ruas e instalou novos postos de controle. Algumas escolas cancelaram as aulas.

O Ministério do Interior também suspendeu todas as licenças para porte de armas até nova ordem.

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