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Atualizado às: 05 de novembro, 2007 - 15h54 GMT (13h54 Brasília)
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Paquistão mantém eleições, apesar de estado de exceção
Policiais agem em protesto de advogados em Karachi
Segundo testemunhas, vários advogados foram presos
O primeiro-ministro do Paquistão, Shaukat Aziz, afirmou nesta segunda-feira que as eleições parlamentares marcadas para meados de janeiro estão mantidas.

Havia rumores de que o pleito poderia ser adiado em até um ano depois que o presidente, Pervez Musharraf, declarou estado de exceção no país no último sábado.

"Nós não queremos interromper o processo das eleições. Queremos eleições livres", disse o premiê paquistanês.

Segundo o procurador-geral Malik Abdul Qayyum, tanto a Assembléia Nacional, como as regionais, serão dissolvidas em dez dias.

"Ficou decidido que não haverá atraso nas eleições. Até o dia 15 de novembro as assembléias serão dissolvidas e as eleições serão realizadas em 60 dias".

Repercussões

A decisão do governo de manter as eleições parlamentares se segue a uma série de críticas vindas de dentro e de fora do Paquistão às restrições impostas no país asiático.

Depois de anunciar a revisão da ajuda financeira destinada ao Paquistão, os Estados Unidos suspenderam um encontro marcado para esta semana com autoridades paquistanesas para discutir cooperação na área da defesa.

A Holanda foi o primeiro país a suspender o auxílio ao país asiático e autoridades da União Européia estão discutindo que medidas irão tomar.

Nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband, disse que está avaliando se situação política do Paquistão vai influenciar na ajuda britânica ao país.

A notícia de que as eleições estão mantidas foi bem recebida por Miliband, mas para o ministro britânico, a decisão do governo paquistanês deve ser acompanhada pelo "retorno das liberdades políticas".

Protestos

O Paquistão é considerado um dos principais aliados do governo americano na chamada "guerra ao terror" e já recebeu cerca de US$ 10 bilhões dos Estados Unidos desde 2001, principalmente para financiar operações contra militantes islâmicos.

Em pronunciamento à nação no último sábado, Pervez Musharraf explicou que precisava declarar estado de emergência porque "um judiciário ativista estava paralisando o governo e atrapalhando a luta contra o terrorismo".

Ele suspendeu a Constituição e demitiu juízes da Suprema Corte do país.

A medida provocou revolta em algumas cidades. Nesta segunda-feira, a polícia paquistanesa usou golpes de cacetete para reprimir uma manifestação de advogados em Karachi.

Segundo testemunhas, o protesto reuniu dezenas de advogados em frente à Alta Corte da cidade. Também houve manifestações em Rawalpindi.

Alguns foram presos após a ação policial.

Representantes de um dos principais partidos da oposição, o Jamaat-e-Islami, disseram que planejavam se juntar aos protestos, mas desistiram depois que centenas de seus militantes foram presos durante a noite.

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