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Atualizado às: 04 de novembro, 2007 - 09h09 GMT (07h09 Brasília)
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Oposicionistas são presos após estado de exceção no Paquistão
Soldados nas ruas em Islamabad
Islamabad amanheceu no domingo com soldados nas ruas
Líderes de oposição foram presos no Paquistão depois que o presidente do país, Pervez Musharraf, declarou estado de exceção no sábado.

Musharraf impôs o estado de exceção alegando que extremistas estão à solta impunemente no Paquistão e que, se nenhuma ação firme for tomada, o país estaria em perigo.

Entre os oposicionistas que foram presos está Javed Hashmi, chefe do partido do ex-primeiro-ministro exilado Nawaz Sharif. Ele disse ter sido detido junto com outros partidários de Sharif.

O ex-jogador de críquete e político Imran Khan também estaria em prisão domiciliar. Alguns líderes de ordens de advogados também foram presos.

Antes de ser detido na cidade de Multan, Hashmi disse que o presidente Musharraf vai pagar um preço pela sua decisão de restringir liberdades.

"Os dias de Musharraf estão contados. Chegou a hora de colocar fim ao papel político do Exército", disse.

As eleições parlamentares estão marcadas para janeiro no Paquistão. Mas o ministro da Informação, Tariq Azeem, disse que a manutenção das datas do pleito não está confirmada.

Ruas calmas

As ruas da capital Islamabad amanheceram sem grande movimento neste domingo. Policiais e paramilitares montaram pontos de checagem próximos do Parlamento e do palácio presidencial.

A ex-premiê Benazir Bhutto acusou Musharraf de impor uma lei marcial sem declará-la explicitamente.

"Nós, os partidos políticos, estamos pedindo pela restauração da Constituição e pela realização de eleições sob uma comissão eleitoral independente", disse Bhutto à BBC.

Ela negou boatos de que sua casa, em Karachi, foi cercada por soldados. Bhutto estava em Dubai no sábado, mas voltou para Karachi após anúncio do estado de exceção.

Pervez Musharraf, presidente do Paquistão
 A falta de ação neste momento seria o mesmo que o Paquistão cometer suicídio. Eu não posso permitir que este país cometa suicídio.
Pervez Musharraf, presidente do Paquistão

Nos últimos meses, o Paquistão, um importante aliado dos Estados Unidos na Ásia, tem sido palco de instabilidade política, com a diminuição crescente da popularidade de Musharraf – que chegou ao poder em um golpe de estado em 1999.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, disse que as medidas adotadas por Musharraf foram “lamentáveis” ressaltando que Washington não apóia procedimentos “extraconstitucionais”.

O ministro britânico das Relações Exteriores, David Miliband, disse que é fundamental que o Paquistão mantenha o calendário de eleições parlamentares.

'Suicídio'

A Constituição foi suspensa, a Suprema Corte do país foi cercada por tropas e o presidente do tribunal, Iftikhar Chaudhry, foi substituído.

A decisão de Musharraf foi anunciada quando a Suprema Corte estava prestes a dar seu veredicto sobre a legalidade da candidatura do general à Presidência, depois de ele ser reeleito no pleito realizado em outubro.

O tribunal iria decidir se Musharraf poderia ter sido candidato ocupando, ao mesmo tempo, o cargo de comandante do Exército.

Segundo a correspondente da BBC no Paquistão Barbara Plett, havia a expectativa de que a Suprema Corte pudesse anunciar uma decisão desfavorável a Musharraf.

Advogados paquistaneses prometeram convocar uma greve para segunda-feira contra Musharraf.

No seu pronunciamento na televisão, o presidente disse que quer restaurar a democracia o mais rápido possível.

Na televisão, Musharraf defendeu a decisão alegando que militantes islâmicos estão agindo como se tivessem um governo próprio no país, e o governo oficial foi quase paralisado pela interferência do judiciário.

"A falta de ação neste momento seria o mesmo que o Paquistão cometer suicídio. Eu não posso permitir que este país cometa suicídio."


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