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Para Lula, República do Congo 'ensina democracia'

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Depois do Congo, presidente Lula passa por África do Sul e Angola
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que a República do Congo está “ensinando a construir uma democracia cada vez mais forte e na paz". O presidente fez a afirmação durante um discurso no palácio presidencial da capital do país, Brazaville, no segundo dia do giro que faz por países africanos.

Ainda em seu discurso, o presidente ressaltou a importância da democracia para o desenvolvimento. "Para um país se desenvolver, precisamos exercer a democracia, aprender a conviver na diversidade e construindo a paz. Somente na paz os países africanos podem prosperar."

Lula fez as afirmações ao lado de Denis Sassou-Nguesso, o presidente congolês. Sassou-Nguesso chegou ao poder pela primeira vez em 1979, com um golpe de Estado, mas deixou o cargo após perder as primeiras eleições multipartidárias do país, realizadas em 1992.

Sassou-Nguesso voltou ao poder em 1997 depois de uma rápida e sangrenta guerra civil, em que contou com o apoio de tropas angolanas.

Em março de 2002, ele venceu novas eleições presidenciais em que dois de seus principais concorrentes – o ex-presidente Pascal Lissouba e o ex-primeiro-ministro Bernard Kolelas – foram impedidos de participar devido a novas leis de residência no país. O terceiro rival, Andre Milongo, desistiu da candidatura dois dias antes do pleito alegando que as eleições seriam fraudadas. Lula não fez nenhuma referência a essas eleições.

Bahia

No mesmo discurso, o presidente disse que a visita à República do Congo é uma retribuição à visita que o presidente congolês fez ao Brasil em 2006 e afirmou ainda que Denis Sassou-Nguesso deve ter se sentido à vontade durante sua passagem por Salvador.

"Não há nenhuma diferença entre o povo baiano e o povo africano. A Bahia é o Estado brasileiro onde ser negro é motivo de orgulho. O senhor deve ter se sentido em casa", disse Lula ao presidente congolês.

O presidente Lula disse ainda que, apesar de ser auto-suficiente em petróleo, o Congo pode se beneficiar do uso de biocombustíveis.

"Os biocombustíveis têm duas coisas importantes. A primeira é que é uma fonte de energia renovável e limpa. A segunda é que gera emprego e renda para o povo mais pobre."

Lula mencionou que, no Brasil, o governo criou um selo social que permite que as empresas que produzem biodiesel comprando de pequenos produtores recebam isenção fiscal do governo. O objetivo da medida, segundo o presidente, é "produzir uma nova sociedade, gerar mais emprego, mais cidadania".

Depois do encontro com o presidente congolês, Lula seguiu para um encontro empresarial. Cerca de 30 empresários brasileiros acompanham o presidente em sua visita por quatro países africanos, buscando oportunidades de negócios.

No encontro, Lula afirmou que as trocas comerciais entre Brasil e Congo aumentaram mais de 15 vezes – embora não tenha citado cifras – e que o Congo é uma importante porta de acesso para mercados da África Central.

"Assim como o Brasil, o Congo é um país em construção, tem muitos investimentos em infra-estrutura e esses investimentos devem se expandir de forma exponencial", disse o presidente. Lula disse que o conhecimento das empresas brasileiras pode ajudar muito nesse processo e citou a Petrobras e a Vale do Rio Doce como exemplos de companhias que vêem potencial no Congo.

O presidente anunciou ainda que o Brasil estuda transformar a dívida bilateral do Congo, equivalente a US$ 360 milhões, em uma linha de crédito para a compra de bens e investimentos.

Depois da visita à República do Congo, Lula passa ainda pela África do Sul e Angola. Na segunda-feira, o presidente visitou Burkina Faso.

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