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Atualizado às: 15 de outubro, 2007 - 14h25 GMT (11h25 Brasília)
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Lula é estrela de comemoração de golpe em Burkina Faso

Burquinenses comemoram 20 anos do presidente Compaoré no poder
Lula foi recebido por grupos que comemoram os 20 anos de Compaoré no poder
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a grande estrela das comemorações dos 20 anos do golpe militar que levou o atual presidente de Burkina Faso, Blaise Compaoré, ao poder.

O presidente Lula chegou à capital burquinense, Uagadugu, na manhã desta segunda-feira para a primeira etapa de sua visita de quatro dias à África, a sétima passagem pelo continente desde que chegou à presidência.

Ele foi recebido no aeroporto por grupos de jovens que agitavam bandeiras do Brasil e bandeiras em comemoração ao aniversário do golpe militar com os dizeres "20 anos de democracia e progresso".

O golpe de 15 de outubro de 1987, liderado pelo então capitão Compaoré, foi marcado pela execução do presidente derrubado, Thomas Sankara.

Após aprovar uma nova constituição em plebiscito, o atual presidente burquinense organizou e venceu eleições em 1991, 1998 e 2005. A próxima eleição está prevista para 2010.

'O que será'

O presidente Lula foi recebido no colóquio "Democracia e Desenvolvimento na África", organizado pelas autoridades de Burkina Faso como parte das comemorações pelos 20 anos do golpe militar, com gritos de "Brasil, Brasil, Brasil" e "Lula, Lula, Lula".

Um grupo de música ao vivo homenageou o Brasil tocando as canções "O que será", de Chico Buarque, e "Água de Beber", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Para um auditório com cerca de 200 delegados de vários países, Lula disse que "quando falamos em democracia e desenvolvimento, precisamos ter em conta uma palavra mágica que pode permitir, com mais rapidez, resolver os problemas. Essa palavra se chama paz".

"Sem paz, nenhum país do mundo vai se desenvolver", disse o presidente Lula.

"Se em vez de pão comprarmos canhão, em vez de arroz comprarmos fuzis, em vez de abraçar um companheiro atirarmos nele, o país nunca irá se desenvolver."

Lula disse que sua visita é como o pagamento de uma dívida histórica, que se paga com amizade e solidariedade. Segundo o presidente, o jeito amável do brasileiro, o futebol e o samba são os resultados de uma miscigenação que deu certo.

"Essa gratidão devemos à África."

Democracia

De acordo com o presidente Lula, a América Latina vive um momento muito bom em relação à democracia, com a chegada de "vários governos progressistas" ao poder.

"Sou o resultado mais vivo da democracia no meu país, porque se não fosse pela democracia, dificilmente um torneiro mecânico chegaria à presidência", disse Lula.

O presidente encerrou o discurso dizendo esperar que a África, assim como a América Latina, não desperdice as oportunidades do século 21.

"Agora, (nós) os países, que não tivemos chance no século 20, temos que conquistar o século 21 como o século de desenvolvimento com democracia nos nossos países. Como o século em que a gente devolva para o povo o direito de estudar, trabalhar, tomar café, almoçar e jantar, e o direito de ter orgulho e dar valor a esse regime, que é cheio de defeitos, mas é o melhor que temos até agora, que é a democracia."

O presidente Lula fez também um convite a Burkina Faso e também a toda África para participar no que chamou de "revolução dos biocombustíveis".

"Por meio da implantação na África, América Latina e Ásia de cultivos próprios para a produção de etanol e biodiesel em larga escala, podemos democratizar o acesso à energia sustentável", disse o presidente.

"Ao mesmo tempo, estaremos combatendo o impacto do aquecimento global, que atinge desproporcionalmente os países mais pobres. E isso sem colocar em risco a segurança alimentar. É o que demonstra a experiência do Brasil."

Giro africano

O presidente Lula é acompanhado na viagem à África pelos ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, do Desenvolvimento, Miguel Jorge, das Ações de Longo Prazo, Mangabeira Unger, da Comunicação Social, Franklin Martins, da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, e pelo assessor para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

Além disso, um grupo de cerca de 30 empresários também participa do giro africano com o presidente em busca de novas oportunidades de negócios.

Depois de Burkina Faso, o presidente Lula visita Congo, África do Sul e Angola, passando um dia em cada país. Até o fim da semana, ele terá visitado 19 dos 53 países africanos, alguns deles mais de uma vez.

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