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População nas favelas cresceu 30% em Buenos Aires, diz ONG | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A população residente nas favelas de Buenos Aires cresceu cerca de 30% nos últimos dois anos, segundo estimativas da ONG Associação Civil pela Igualdade e Justiça (ACIJ), da capital argentina. Albertina Maranzana, coordenadora da rede de villas (favelas com alguma infra-estrutura, como saneamento básico e acesso à rede elétrica) da ONG, existem 24 villas registradas na cidade de Buenos Aires e dez assentamentos (favelas sem nenhuma infra-estrutura) surgiram nos últimos anos. De acordo com o censo de 2004, as villas e assentamentos contavam com cerca de 150 mil habitantes, mas segundo Maranzana, este número hoje está em torno dos 200 mil, "pelo menos". Ela e Ricardo Ragaglia, que atua como uma espécie de "ombudsman" oficial do governo de Buenos Aires, contaram à BBC Brasil que grande parte destes moradores chegam do interior da Argentina e dos países vizinhos, como Bolívia, Peru e Paraguai. Programas sociais "Apesar de suas falhas, Buenos Aires oferece benefícios e oportunidades que não existem no interior da Argentina ou em outros lugares", afirmou Maranzana. Segundo Ragaglia e Maranzana, a cidade dispõe de sistema de saúde acessível, mesmo para estrangeiros, e programas de ajuda à população carente. "Buenos Aires conta com 40 programas sociais diferentes. São tantos que, nesta semana, realizaremos uma reunião de sete secretarias do governo da cidade para verificar se eles não se repetem", disse Ragaglia. Ele afirmou que, segundo dados oficiais, existem hoje 187 mil moradores nas villas, assentamentos e nas ruas. "Muitos moradores não têm como comprovar renda para pagar um aluguel formal. A eles não resta outra opção a não ser esses endereços", afirmou. Números oficiais Na chamada Villa 31, a maior e mais antiga favela de Buenos Aires, com cerca de 25 mil moradores, a líder comunitária Nelly Benitez confirmou que a maioria dos novos habitantes do lugar e da Villa bis (extensão da primeira) são do interior e de outros países. "É incrível, nós reclamamos das condições em que vivemos, mas perto da vida que levam os que estão chegando temos uma vida de luxo", disse Benitez. Na semana passada, o governo argentino anunciou que a pobreza voltou a cair no país, atingindo hoje 23% da população, e a economia registrou novos recordes de crescimento. Benitez, no entanto, afirma que este crescimento "não mudou" sua vida. O economista Ernesto Kritz, da Sel consultores, lembrou que nos primeiros três anos do governo Kirchner, o índice de pobreza caiu pela metade, de 57% para 27% da população. Ele hoje acredita que a pobreza atinge 28% dos argentinos. "A pobreza voltou a subir este ano e não a cair, como informa o governo", disse Kritz. "A inflação subiu nos últimos meses e afetou, principalmente, os mais pobres." |
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