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Ministra da Economia da Argentina renuncia em meio a escândalo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A ministra da Economia da Argentina, Felisa Miceli, pediu demissão ao presidente Néstor Kirchner nesta segunda-feira. Miceli é investigada pela Justiça por uma bolsa de dinheiro encontrada no banheiro do seu gabinete, no mês passado. Poucas horas depois da confirmação oficial da renúncia da ministra, o chefe de gabinete da Presidência, Alberto Fernández, anunciou o nome do atual secretário de Indústria, Miguel Peirano, para assumir a pasta. Economista e defensor da indústria argentina, Peirano, 40 anos, trabalhou na União Industrial Argentina (UIA), entidade que costuma ser definida como protecionista por empresários brasileiros. O novo ministro é considerado "desenvolvimentista", segundo analistas. Peirano integra a equipe econômica argentina desde que o ministro da pasta era Roberto Lavagna e é conhecido de empresários e autoridades do governo do Brasil, com os quais já se reuniu em diferentes ocasiões para discutir disputas comerciais ou questões do ramo. De acordo com analistas, Peirano deve manter a atual política econômica de desvalorização do peso frente ao dólar e um discurso em defesa do capital nacional. "Banheiro-gate" Na carta de demissão, divulgada pelo Ministério da Economia, Felisa Miceli diz que seu pedido é "irrevogável" e que renunciou para enfrentar a justiça "como pessoa comum". "Não quero prejudicar o presidente por uma bobagem que cometi", teria dito Miceli ao entregar sua demissão ao chefe de gabinete da Presidência. Os problemas de Miceli começaram quando o jornal Perfil publicou a notícia de que bombeiros haviam encontrado, em um trabalho de rotina no gabinete da ministra, uma bolsa com cerca de US$ 240 mil (entre pesos, euros e dólares). Em diferentes emissoras de rádio, Miceli afirmou que, na verdade, tinha deixado cerca de US$ 65 mil no banheiro e que o dinheiro seria usado na compra de um imóvel. A Justiça começou a investigar o caso, pediu explicações à ministra e realizou uma batida no armário do banheiro onde a bolsa foi encontrada e no Banco Central. O dinheiro tinha uma fita de papel da autoridade monetária, o que, para a oposição, provava que a ministra poderia não estar dizendo a verdade ao argumentar que o dinheiro havia sido emprestado por um irmão, Horacio – agora, também na mira dos investigadores. "Conspiração" Parlamentares da oposição cobravam ainda nesta semana um depoimento de Miceli no Congresso Nacional, no caso que foi batizado pelos argentinos de "banheiro-gate" e "bolsa-gate". Os mesmos parlamentares também pedem explicações à secretária de Meio Ambiente, Romina Picolotti, acusada em uma reportagem do jornal Clarin de contratar familiares e de outras irregularidades. Nos dois casos, de Miceli e Picolotti, o governo acusava os adversários políticos e a imprensa de "conspiração", como afirmou Fernández, na semana passada. A demissão da ministra foi confirmada oficialmente pela assessoria de Miceli no Ministério da Economia no final da tarde desta segunda-feira. A saída de Miceli ocorre a pouco mais de três meses das eleições presidenciais, marcadas para o dia 28 de outubro. Desde 2005, com a saída do então ministro Roberto Lavagna (agora candidato presidencial e opositor de Kirchner), analistas do mercado e assessores do governo afirmam que o "verdadeiro ministro" é o presidente. |
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