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Após divergências, Lula quer 'estreitar parceria' com Chávez | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontra nesta quinta-feira, em Manaus, com o líder venezuelano, Hugo Chávez, com o objetivo de "estreitar a parceria" com a Venezuela, segundo o porta-voz da Presidência do Brasil, Marcelo Baumbach. “O presidente considera que é necessário estreitar a parceria com a Venezuela, acelerar as negociações e estabelecer prazos para as etapas dos projetos. Essa é a visão geral que o presidente vai levar”, afirmou Baumbach. “Para que se dê impulso às negociações, se estreite a parceria e sejam estabelecidos prazos para as etapas”, disse. O encontro ocorre depois de uma série de divergências públicas entre os dois líderes. Em maio, Chávez chamou o Congresso brasileiro de "papagaio que repete o que diz Washington" - depois que o Senado em Brasília aprovou um requerimento pedindo que o presidente venezuelano autorizasse a emissora RCTV a voltar a funcionar. Em julho, o líder venezuelano disse que seu país desistiria de ingressar no Mercosul caso o Senado do Brasil e o do Paraguai não aprovassem a adesão da Venezuela ao bloco dentro de três meses. A declaração foi encarada como um ultimado e provocou uma resposta do presidente Lula. Na ocasião, Lula disse que, para entrar no Mercosul, era preciso ter a aprovação dos congressos nacionais dos quatro países do bloco. "Agora, para sair, não tem regras. É só não querer ficar, não fica", disse, na época, o presidente brasileiro. Chávez também já fez repetidas críticas ao etanol. O presidente venezuelano não menciona diretamente o Brasil, mas o etanol é uma das principais bandeiras da política externa do governo Lula. Recentemente, declarações de Lula em uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, na qual o presidente brasileiro falava sobre a importância da alternância de poder, repercutiram na Venezuela. Os comentários de Lula foram feitos dias depois de Chávez ter apresentado sua proposta de reforma da Constituição, que prevê o fim do limite para reeleição para presidente. Parceiro Desde a última visita de Chávez ao Brasil, em dezembro do ano passado – logo após a reeleição dos dois presidentes –, foram assinados vários acordos de cooperação na área energética que ainda não saíram do papel. Mas apesar de os projetos terem apresentado pouco progresso, o governo brasileiro diz que a Venezuela é um parceiro muito importante para o Brasil pelo tamanho e perfil de sua economia, com forte crescimento e perfil importador. No ano passado, o Brasil exportou à Venezuela US$ 3,5 bilhões, com superávit de de US$ 2,9 bilhões. Este ano, até agosto as exportações somaram US$ 2,9 bilhões, um acréscimo de 26% em relação ao mesmo período do ano passado, que coloca o Brasil como o segundo maior fornecedor da Venezuela, atrás apenas dos Estados Unidos e à frente da Colômbia. É cada vez maior também o número de empresas que realizam obras no país. A segunda ponte sobre o Rio Orinoco, por exemplo, que teve a participação de Lula na inauguração, em novembro do ano passado, foi construída pela Odebrecht. Na cerimônia, Chávez já encomendou a construção da terceira ponte sobre o mesmo rio. O encontro desta quinta-feira – um almoço de trabalho entre os dois presidentes e assessores e um jantar com a participação do presidente do Equador, Rafael Correa, em escala técnica em Manaus a caminho de Nova York – deve “dar um impulso” à agenda de integração regional acordada entre os dois países, de acordo com o Palácio do Planalto. PDVSA Entre os projetos de integração acertados nos últimos meses entre Brasil e Venezuela estão os cinco previstos na carta de intenções assinada em janeiro entre a Petrobras e a PDVSA, estatal petrolífera venezuelana. Um deles é a criação de duas empresas mistas, para explorar o campo de Carabobo 1, de petróleo ultra-pesado, que seria melhorado numa planta na Venezuela e enviado à refinaria de petróleo pesado de Abreu e Lima, em construção em Pernambuco. Segundo a Petrobras, a PDVSA ainda não respondeu à proposta brasileira de composição acionária nesse projeto. A carta de intenções para o trecho do gasoduto do sul ligando a Venezuela ao Nordeste brasileiro foi assinada em janeiro. Esse seria o primeiro trecho do gasoduto do sul, que vai ligar a Venezuela à Argentina, passando pelo Brasil e pela Bolívia. De acordo com a Petrobras, ainda não foi realizado o estudo de viabilidade econômica para o trecho do Nordeste. O gasoduto tem dois traçados preliminares, um passando pela Amazônia e outro pelo Nordeste, mas ainda carece de um estudo técnico mais aprofundado. Mercosul A adesão da Venezuela ao Mercosul como membro pleno foi aprovada em julho do ano passado, mas precisa passar pelos parlamentos dos quatro membros do bloco – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai – antes de entrar em vigor. No Congresso brasileiro, estava prevista para esta quarta-feira na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, mas quatro deputados pediram vistas, e o projeto só será apreciado na próxima semana. Depois, ainda deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, pelo plenário e pelas comissões e plenário no Senado. Outro tema na pauta do encontro desta quinta-feira é o Banco do Sul, idéia originalmente do Brasil que foi encampada por Chávez e por Correa. O governo brasileiro não concordou com a idéia inicial de Chávez e Correa, de juntar as reservas internacionais dos países sul-americanos para criar um banco de investimento, porque acredita que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já faz este papel de financiar projetos, inclusive em outros países. Nos dias 1º e 2 de outubro, ministros da Fazenda de vários países da região se reunirão no Rio de Janeiro para elaborar a ata de constituição do banco e definir sua composição acionária e missão. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Imprensa venezuelana destaca defesa de Lula de alternância de poder28 agosto, 2007 | BBC Report Chávez nega ter dado 'ultimato' para entrada no Mercosul06 agosto, 2007 | BBC Report Para sair do Mercosul é só querer, diz Lula sobre Chávez05 julho, 2007 | BBC Report Chávez dá ultimato e ameaça desistir do Mercosul em 3 meses03 julho, 2007 | BBC Report Chávez diz que reagiu a ato 'grosseiro' 03 junho, 2007 | BBC Report Críticas de Chávez causam 'incômodo', diz Amorim02 junho, 2007 | BBC Report Chávez 'tem que cuidar da Venezuela', diz Lula01 junho, 2007 | BBC Report Chávez diz que falará com Lula sobre perigos do etanol12 março, 2007 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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