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Críticas de Chávez causam 'incômodo', diz Amorim | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse neste sábado, em Londres, que as declarações do presidente venezuelano, Hugo Chávez, sobre o Congresso brasileiro, causam “incômodo ou preocupação”. “As declarações atribuídas ao Chávez obviamente causaram, não sei exatamente qual a palavra, incômodo ou preocupação” disse Amorim, quando perguntado qual tinha sido a reação do governo aos comentários do líder venezuelano. Na quinta-feira, Chávez acusou o Congresso brasileiro, em cadeia nacional de TV, de agir como um "papagaio que repete o que diz Washington" e de fazer "um mau favor à causa sul-americana". As frases foram uma reação à aprovação pelo Senado brasileiro, na quarta-feira, de um requerimento pedindo que Chávez devolva ao canal de televisão RCTV a concessão para que volte ao ar. A emissora deixou de transmitir no domingo, desencadeando uma onda de protestos na Venezuela. Amorim disse também que “podemos ter internamente as divergências que tenhamos com esse ou aquele setor do Congresso, mas independência, dignidade e princípios democráticos e nacionais não estão nunca em jogo e certamente não é apreciado que uma autoridade estrangeira, seja ela qual for, se manifeste sobre o nosso Congresso”. “Minha expectativa é que, como todos os arroubos retóricos, eles possam com o tempo refluir e as relações voltarem a normalidade que têm, mas isso exige a capacidade de contenção de todos”, disse Amorim, quando perguntado se as relações entre Brasil e Venezuela estavam abaladas. As declarações de Amorim foram feitas após encontro entre o ministro e a representante Comercial dos Estados Unidos, Susan Schwab. Depois do encontro, que tratou da Rodada de Doha de comércio, Amorim disse que está “razoavelmente confiante” no fechamento de um acordo antes de agosto. “Estamos chegando perto do prazo, então isso nos aproxima”, afirmou. Embaixador Antes de seguir para o aeroporto neste sábado, onde viaja para a Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que "ainda não tinha falado com Chávez", quando perguntado se o venezuelano pedido desculpas pelas declarações. Na sexta-feira, Lula determinou que o Ministério das Relações Exteriores convoque o embaixador da Venezuela no Brasil para prestar esclarecimentos sobre as declarações de Chávez. A informação foi divulgada pelo Itamaraty, através de uma nota de imprensa, nesta sexta-feira, e diz que o governo repudia o questionamento da independência e dignidade do Congresso. "Tendo tomado conhecimento, em Londres, de declarações atribuídas ao Presidente Hugo Chávez a respeito do Congresso brasileiro, o Presidente Lula reafirmou seu total apoio às instituições brasileiras e expressou seu repúdio a manifestações que coloquem em questão a independência, a dignidade e os princípios democráticos, que norteiam essas instituições, afirma a nota. O texto também afirma que o presidente aguarda a transcrição das declarações de Chávez. Em Londres, o presidente Lula disse que Chávez "tem que cuidar da Venezuela e eu, do Brasil", ao responder a uma pergunta sobre críticas feitas por Chávez ao Congresso brasileiro. "Veja como eu sou diplomata, não posso comentar o discurso de um chefe de Estado porque você está fazendo esta pergunta", disse Lula. "Numa situação dessas, não sei se o Chávez falou isso mesmo." "Se falou, tenho certeza que o embaixador brasileiro em Caracas vai comunicar o Itamaraty. Somos adultos, cada um tem responsabilidade do que fala", acrescentou. "Chávez tem que cuidar da Venezuela e eu, do Brasil. No caso do problema do Chávez com a televisão, isso é um problema do Chávez, e não do Brasil." |
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