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Universidades americanas usam podcast para atrair público | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em abril, o ex-presidente do Peru Alejandro Toledo ministrou a palestra “Democracia, Pobreza, Crescimento e Exclusão Social” em um lotado auditório da Columbia University, em Nova York. Quem não teve acesso ao evento pessoalmente, não precisou se lamentar – a palestra foi disponibilizada em arquivos de áudio e vídeo na internet para download gratuito em qualquer PC ou iPod, por exemplo. O uso de podcast e vodcast (de arquivos de vídeo) para distribuir o conteúdo de aulas e palestras é cada vez mais comum entre as universidades dos Estados Unidos. “É uma tendência. Acho que as grandes universidades americanas estão percebendo isso como uma boa maneira de trazer o público em geral para dentro do campus”, disse Jeremy Sabol, especialista em tecnologia da Universidade de Stanford, na Califórnia. "Campus que nunca dorme" As instituições de educação disponibilizam o conteúdo digital em seus próprios sites ou em páginas que reúnem o material de dezenas de universidades, como é o caso do iTunes U, da Apple, e do UChannel, da Universidade de Princeton. Em 2005, as universidades de Stanford, Duke, Berkeley e Wisconsin-Madison participaram do projeto piloto da Apple para criar o iTunes U, o “campus que nunca dorme”. No site, lançado em maio passado, as instituições de educação oferecem gratuitamente o conteúdo de algumas aulas, palestras, debates e discursos. “É como se o internauta estivesse sentado na última fila”, comparou Sabol. Vinte e quatro universidades oferecem conteúdo público no iTunes U, entre elas, o Massachusetts Institute of Technology (MIT), uma das mais caras e concorridas dos Estados Unidos. Mas alunos de qualquer parte do mundo podem fazer de graça, por exemplo, o curso de Introdução à Biologia que os estudantes do MIT estão cursando. Audiência O campeão de downloads no iTunes U é o discurso do co-fundador da Apple, Steve Jobs, feito em 2005 na cerimônia de graduação dos alunos de Stanford. Embora não revele os números de audiência, um porta-voz da Apple diz que o uso do iTunes U “cresceu muito”. Sabol, da Universidade de Stanford, diz que sua instituição registra, em média, 20 mil downloads por semana. São mais de mil arquivos de vídeo e áudio oferecidos pela universidade online, e os planos são de crescimento. “Estamos disponibilizando cada vez mais material no iTunes U e, ao longo do próximo ano, ofereceremos mais cursos inteiros”, disse Sabol. Propriedade intelectual A decisão de colocar o conteúdo de aulas e palestras na internet é do próprio professor. “Ele tem a propriedade intelectual sobre o conteúdo. Alguns ficam entusiasmados com a idéia, mas outros se preocupam com a questão de copyright”, comentou Patty Lins, diretora de Tecnologia Educacional da Michigan Technological University, que oferece oito cursos no iTunesU, sendo o mais popular o de Introdução à Astronomia. Para Donna Liu, diretora do UChannel, o podcast e o vodcast são “excelentes para os professores que buscam maior exposição e publicidade de seus trabalhos”. O UChannel oferece o conteúdo de 43 universidades, organizado em dez temas, como Economia, Ciência e Direito. Entre os arquivos oferecidos estão palestras de grandes nomes do mundo acadêmico, como os economistas Jeffrey Sachs e Paul Krugman. O site registra 1 milhão de hits e cerca de 80 mil downloads por mês. Segundo Liu, os planos são de ampliar a audiência internacional, convidando universidades de outros países para participar do site. Instituições de educação do Brasil, por exemplo, já teriam sido contactadas. Dentro do campus Além de usar o podcast e o vodcast para divulgar externamente o material acadêmico, muitas universidades americanas também utilizam essas ferramentas internamente no campus. Aqui o uso é restrito aos alunos das instituições de educação. Segundo um porta-voz da Apple, cerca de 200 universidades usam o iTunes U para distribuir internamente arquivos de vídeo e áudio. São, por exemplo, aulas cujo formato ou assunto não interessariam ao público em geral, mas que são úteis aos estudantes que fazem o curso. “Talvez o aluno queira rever o material ou talvez não tenha se sentindo muito bem naquele dia e não pode ir à aula. Então ele pode fazer o download da aula”, disse Lins, da Michigan Technological University. “Os estudantes adoram, porque isso dá mais mobilidade e eles podem rever o conteúdo antes das provas.” Sem precisar assinar uma lista de chamada, a aula digital pode ser tentadora aos alunos, digamos, mais preguiçosos, mas Lins diz que nenhum professor registrou queda no número de estudantes em sala de aula. Outra possivel desvantagem é que o aluno perde a oportunidade de esclarecer uma dúvida pessoalmente. “Mas ele tem outros meios, como o email, as salas de bate papo e até vídeo conferência”, afirma Lins. Complementos Em Stanford, o iTunes U “interno” serve para divulgar arquivos digitais usados como complementos das aulas. “O Departamento de Música o utiliza muito, já que os alunos podem escutar um grande número de arquivos online em vez de ter que ir à biblioteca. Isso tornou o estudo mais conveniente e acessível aos estudantes”, comentou Sabol. Os professores do Departamento de Esportes também gostaram da idéia e utilizam o iTunes U para distribuir vídeos de treinos e jogos. Na Duke University, da Carolina do Norte, 51 cursos utilizam o podcast e 21, o vodcast. São arquivos digitais utilizados pelos professores para ilustrar um determinado tópico ou então material produzido pelos próprios alunos, como trabalhos e apresentações. Lynne O'Brien, diretora de Tecnologia Acadêmica da Duke University, conta que uma pesquisa foi realizada no ano passado para verificar como o uso do iPod estava influenciando a performance dos alunos. “Foi registrado um aumento na motivação dos estudantes, um grande uso de materiais culturais autênticos e, em geral, uma melhor qualidade dos trabalhos dos alunos”, disse. |
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