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Atualizado às: 06 de setembro, 2007 - 11h01 GMT (08h01 Brasília)
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Nova geração de 'desaparecidos' leva angústia às ruas do Rio, diz 'Guardian'
Agente da Força Nacional de Segurança no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro
Reportagem publicada nesta quinta-feira pelo diário britânico The Guardian comenta sobre o alto número de pessoas que desaparecem sem deixar pistas no Rio de Janeiro, graças principalmente à criminalidade na cidade.

Sob o título “A nova geração de ‘desaparecidos’ leva angústia para as ruas do Rio’, o jornal cita os números de mais de 10 mil desaparecidos desde 1993 e observa que a mídia local recentemente sugeriu que ao menos 7 mil desses casos se referiam a assassinatos cometidos por narcotraficantes, esquadrões da morte e por policiais corruptos.

“A cada semana, dezenas de mães vasculham os necrotérios da cidade, delegacias de polícia e ocasionalmente cemitérios clandestinos procurando informações sobre seus filhos desaparecidos”, diz o texto.

O jornal comenta que muitos nunca são encontrados. “Em vez disso, eles se juntam aos vastos e crescentes registros dos ‘desaparecidos’ do Rio de Janeiro”, diz a reportagem, lembrando que a expressão costumava ser relacionada às vítimas das ditaduras militares dos anos 1960 e 1970 na América Latina.

“O Brasil também teve seus desaparecidos políticos. Cerca de 485 ativistas políticos desapareceram ou foram mortos durante o regime militar iniciado em 1964”, diz a reportagem. “Agora, 22 anos após o fim do regime militar, o Rio de Janeiro tem uma nova geração de desaparecidos, em escala ainda maior.”

Moradores empobrecidos

O Guardian observa que os desaparecidos de hoje “não são ativistas políticos ou dissidentes de esquerda”. “Segundo Roberto Cardoso, chefe do esquadrão de homicídios do Rio, eles são em sua maioria moradores empobrecidos das ‘comunidades desfavorecidas’ da cidade, vítimas do crime desenfreado e da insegurança crônica”, diz o jornal.

A reportagem relata que muitas das vítimas são incineradas por traficantes ou pelas gangues criminosas que controlam muitas das favelas do Rio, enquanto outros seriam vítimas da própria polícia.

Robson Fontenele, um investigador da unidade de pessoas desaparecidas do esquadrão de homicídios, diz ao jornal que o número de desaparecidos cresceu após o fim da ditadura porque os criminosos passaram a ter mais interesse em esconder os seus crimes das autoridades.

“Antigamente, o marginal matava alguém e deixava o corpo na esquina”, disse Fontenele ao jornal. “Hoje as coisas mudaram. Não é mais interessante para os traficantes deixar 10 ou 20 corpos na entrada da favela ou para os mafiosos agirem como Al Capone durante a lei seca. O segredo deles é que sem prova material não há crime”, conclui o investigador.

Operação da polícia do Rio no Complexo do Alemão, em maioThe Economist
Para revista, polícia do Rio é 'brutal' e 'incompetente'.
Gary DuffySob fogo cruzado
Repórter irlandês vê paralelos entre Rio e Belfast.
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