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Maior desafio de Jobim é político, dizem especialistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Para dois especialistas da área de defesa que atuam nos Estados Unidos, o maior desafio do novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, é político. Tanto Luis Bittencourt como Thomaz Guedes da Costa, ambos acadêmicos da conceituada National Defense University, em Washington, dizem que um dos principais problemas por trás da crise aérea deriva da falta de liderança política forte. "As coisas estão se misturando muito. A prioridade número um é colocar ordem na competência dos responsáveis, no tráfego aéreo, na Aeronáutica, no Cindacta", afirmou Luis Bittencourt. "Isso foi algo que o ex-ministro Waldir Pires não teve autoridade para fazer." Para Thomaz Guedes da Costa, "embora a crise seja técnica, há também uma crise de conduta" a ser resolvida. Segundo passo Os dois especialistas acreditam que, uma vez encaminhados os problemas de autoridade e competências no setor, o passo seguinte é analisar e tratar das causas da atual crise do sistema aéreo brasileiro, promovendo um debate sobre algumas distorções. Segundo Bittencourt, entre as principais questões técnicas está a subordinação da Infraero ao Ministério da Defesa. "Mistura-se uma área de competência que exige autoridade técnica e investimentos que podem não estar compatíveis com o Ministério da Defesa", afirma, sem avaliar se a privatização da Infraero seria uma saída. "Não tenho uma solução para esse problema." Já Costa sugere que sejam feitas parcerias público-privadas. Segundo ele, essa seria uma solução para a necessidade de se injetar recursos volumosos no setor, mas, ao mesmo, garantir que certas localidades, não interessantes à iniciativa privada, sejam atendidas. Outro ponto a ser tratado pelo ministro Jobim, na avaliação dos acadêmicos, é o problema do tráfego aéreo. "É preciso chamar as pessoas responsáveis e descobrir quais são as causas do problema do tráfego aéreo. Talvez a desmilitarização seja mais custosa, mas é necessário verificar a questão da eficiência", avalia Bittencourt. Costa acrescenta: "A desmilitarização é uma opção, mas não é a única opção. O problema é que há a necessidade de investimentos constantes para atualização da parte técnica e também investimentos no capital humano. Nisso não importa se o controle é militar ou civil." Tratar da desmilitarização não será uma tarefa tão difícil para Jobim, segundo Bittencourt. "Nelson Jobim conta com o respeito dos militares por conta da sua trajetória enquanto congressista." Experiência Os dois professores elogiaram a indicação de Jobim ao cargo. "É um homem de habilidade. Foi a melhor escolha das últimas tentativas", afirmou Bittencourt que considerou uma "bobagem" o fato de o presidente Luis Inácio Lula da Silva ter cogitado nomear o vice José Alencar para substituir Waldir Pires na pasta da Defesa. "Foi uma excelente escolha. Ele é uma pessoa respeitável, tem figura de estadista. É a liderança que se precisa agora", acredita Costa. Gaúcho formado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Jobim advogou entre 1969 e 1994. Em 1987, entrou na carreira política com um mandato de deputado federal pelo PMDB, sendo reeleito em 1991. Em 1995, assumiu o Ministério da Justiça no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Em 1997, foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal cuja presidência assumiu em 2004. O fato de não ter em seu currículo experiência profissional da área de Defesa não é um empecilho, segundo Bittencourt. "Não há nenhum problema. Essa função é muito mais política." |
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