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Atualizado às: 22 de julho, 2007 - 21h24 GMT (18h24 Brasília)
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Islamismo triunfa na Turquia com vitória de partido do governo
Cidadão turco carrega bandeira do país
Militantes do AKP celebravam antes mesmo do resultado oficial
O partido governista Justiça e Desenvolvimento (AKP), de raízes islâmicas, venceu as eleições para o Parlamento turco realizadas neste domingo.

Com 80% dos votos apurados, a sigla, moderada, tinha cerca de 50% do total, bem à frente do partido da oposição, com 20%.

A vitória nestas eleições - que haviam sido antecipadas para contornar uma crise política - reforça o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que após a vitória afirmou que continuará suas reformas no campo institucional e econômico.

"Nossa democracia passou um teste muito importante, de uma maneira que pode ser um modelo para todo o mundo", ele afirmou, em um discurso em que se comprometeu a preservar o secularismo do país.

"A votação mostrou o nivel de maturidade que nossa democracia alcançou."

Antes mesmo da confirmação oficial do resultado, militantes do AKP saíram às ruas em comemoração.

Analistas vinham especulando que o resultado a favor do partido islâmico poderia colocar em xeque a força do secularismo abraçado pelas elites turcas.

Eleições antecipadas

As eleições foram antecipadas para tentar resolver um impasse envolvendo as tendências islâmica e secular, após seguidas tentativas - fracassadas - do Parlamento de eleger um novo presidente.

Os partidos laicos e as poderosas Forças Armadas conseguiram impedir a eleição de um muçulmano praticante, o ministro das Relações Exteriores, Abdullah Gul, que contava com o apoio do governo.

A oposição dizia que a indicação de Gul representaria uma ameaça para o secularismo. As Forças Armadas indicaram que poderiam intervir na política do país.

Um dos que sustentavam esta posição era o chefe das Forças Armadas, general Yasar Buyukanit, que foi aplaudido quando apareceu para votar.

Mas a correspondente da BBC em Ancara Sarah Rainsford disse que, uma vez abertas as urnas, elas mostraram que muitos turcos não enxergam o AKP como uma ameaça.

"Nossa democracia vai emergir desta eleição fortalecida", afirmou, no momento do seu voto, o primeiro-ministro Erdogan, que sai triunfante da disputa.

Comparecimento

Cerca de 42 milhões de pessoas estavam aptas a votar neste domingo, com 14 partidos lutando pelos 550 assentos no Parlamento.

A correspondente da BBC em Ancara acrescentou que eleitores anteciparam sua volta das férias nas praias para exercer seu direito.

Autoridades eleitorais disseram que o comparecimento às urnas foi muito alto.

Primeiro-ministro Tayyip Erdogan
Premiê Erdogan: 'Democracia sai fortalecida'

Alguns desses eleitores dizem ter feito um esforço especial para retornar e votar desta vez, por acreditar que o sistema secular do país precisa ser protegido.

Uma das questões em jogo nestas eleições é a proposta de reforma constitucional proposta pelo governo do premiê Erdogan.

As reformas incluiriam a eleição direta para a Presidência, proposta após o Parlamento ter recusado repetidamente a eleição de Gul, seu candidato.

Secularismo

O secularismo é considerado fundamental para a identidade turca como nação. O país foi fundado em 1923 como um Estado laico pelo general Mustafa Kemal Ataturk, no que havia sido o Império Otomano.

A intenção de Ataturk era que essa nação de maioria muçulmana fosse um país moderno e secular, introduzindo reformas amplas que incluíam a emancipação das mulheres, a introdução de vestimentas ocidentais, do alfabeto latino e de um código legal baseado nos ocidentais, além da abolição das instituições islâmicas.

O partido islâmico Justiça e Desenvolvimento, no poder desde 2002, afirma respeitar os princípios do secularismo previstos pela Constituição, mas os opositores acusam a agremiação de ter um suposto projeto islâmico.

O atual governo promoveu uma série de reformas democráticas durante seus cinco anos no poder, mas a oposição cita as tentativas de criminalizar o adultério e de indicar um presidente do Banco Central muçulmano como sinais do suposto projeto islâmico do partido.

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