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Pedalando sobre londrinos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Não, assim não. Devagar, gente. Olha, eu sou chegado a uma França. Quer dizer, fui de Paris. Que o resto do país para mim é filme sem importância. Fui. Não vou mais. Questão de force majeure, conforme eu diria para as concierges dos mil hotéizinhos, todos folclóricos, em que fiquei, ou costumava ficar. Paris acabou. Não manquitolo mais até lá, foi-se o flanar, o comer, o beber, o cinemear. Para todos os efeitos, repito, Paris e França foram para o beleléu, que é o apelido carinhoso que dou às minhas lembranças é até mesmo a tudo de que já me esqueci. Vou mais longe: beleléu é isso que jocosamente chamo de “minha vida”. Jocosamente. A última coisa que abandonarei é o senso de humor. Que, aliás, possuo em dose limitadíssima. Gosto de ver Paris em fotografias e filmes antigos em branco e preto ou sépia. Agora mesmo, a televisão da BBC está passando uma série muito cartão-postal, muito lugar-comum, sobre a Cidade Luz, como os (são 3) documentários a chamariam. Para ver só e de longe, gosto da Cidade Luz até no verão. Paris no verão não tem nada a ver. Aquilo lá, para mim, só com frio, sobretudo, chapéu e pasta de couro na mão. Não queiram saber mais sobre a pasta de couro. Isso é coisa complicada. As bicicletas na passarela Uma das poucas coisas de que me orgulho na vida é nunca ter acompanhado corrida de bicicleta. Basta beirar a depressão e, para pegar moral, concentro-me no fato de que, ao menos, nunca tive ou andei de bicicleta. Pedalar sempre me pareceu um despropósito, absurdo ímpar, vulgaridade indigna. Os franceses, sabemos todos, gostam de comer, beber, não tomar banho, caminhar e acompanhar corrida de bicicleta. Aí está, há 104 anos, o Tour de France que não me deixa mentir. São 104 anos de gente bufando pelas routes de France e acho sensacional um americano, além do mais por nome Lance e, não bastasse, ainda por cima Armstrong, ter vencido por sete vezes seguidas a (risos irônicos) competição, digo, “competição”. Um verdadeiro heptacampeão ao contrário de tantos soi-disant penta ou tetracampeões que correm por aí. O ritual do Tour de France é tão estúpido quanto comemorar, todos os anos, no dia 14 de julho, a invenção da guilhotina, enquanto que, para o saca-rolhas e para a boina, também bolações deles, ninguém liga. O Plano Marshall também não mereceria um feriado, franceses? Pensem nisso enquanto pedalam ou se deixam pedalar. A sobra para os ingleses Os britânicos, com suas relutâncias em relação à Comunidade Européia, devem ter enchido muito o saco deles lá. Parece que desde a época de De Gaulle andam bolando uma vingança. Napoleão e Waterloo? Conversa, estão cansados de apanhar de todo mundo e pouco ligam. Por Comunidade Européia entendem uma extensão do, para eles, retumbantemente glorioso país. Os ingleses chatearam eles paca. Pois agora vão ter que aguentar. Aguentar o quê? 189 ciclistas franceses pelas ruas do Reino Unido. Por quê? Porque o Tour de France passou a abocanhar também a ilhota aqui. Neste fim de semana que passou, viu-se o que seria uma invasão francesa, caso Bonaporte não fosse danado de ruim de bola. Acompanhando os (risos fou) atletas: 45 oficiais da Garde Républicaine de olho nos 6.300 policiais britânicos patrulhando o evento e se encarregando da árdua tarefa de fechar e abrir ruas para o trânsito normal. Foram 8 km de percurso entre a sede política do país (Whitehall) e a sede louca-fantasia (Palácio de Buckingham). Mais de 230 milhões de dólares arrecadados com os idiotas dos turistas que foram peruar aqueles homenzarrões de perna grossa fazendo aquele papelão diante de, aproximadamente, segundo eles lá da Tour, 2 milhões e 500 mil pessoas que viram pela televisão no mundo inteiro. Na moita, ou às escâncaras, dependendo do ponto de vista, tiraram, enfim, a forra, os vizinhos do outro lado do canal. Não perdem por esperar o próximo jogo lá do time do Arsenal. |
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