|
Análise: Hamas tratou libertação de repórter como prioridade | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Com uma aparência mais magra e um pouco mais envelhecido, Alan Johnston emergiu do perigo mortal de seu seqüestro cercado de homens armados do Hamas e de outros jornalistas. O correspondente da BBC na Faixa de Gaza foi libertado depois de 16 semanas de aprisionamento no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza, mantido por membros de uma família conhecida por seu comportamento corrupto, com uma pitada de extremismo islâmico. Nas palavras do prisioneiro, eles não estavam interessados no conflito entre israelenses e palestinos, eles tinham a Grã-Bretanha como alvo em nome de uma guerra santa global. Johnston deu rapidamente uma série de declarações à imprensa e revelou como foi mantido preso pelo único grupo na Faixa de Gaza que teria um caráter "jihadista" e que seria capaz de fazer o impensável com um prisioneiro. "No primeiro dia, o líder do grupo veio e me disse que eu não seria morto nem torturado", contou o repórter. Mas, em seguida, Johnston afirma ter sido encapuzado, algemado e arrastado pela noite, uma experiência que gerou medo e que ficou com o correspondente da BBC pelo resto do tempo de encarceramento. "Foi como ser enterrado vivo. Eu me senti removido do mundo. Era assustador ser preso por pessoas que eram perigosas e imprevisíveis", disse. Sem nomes Alan Johnston não citou o nome de seus captores, mas ele claramente sabia quem eram eles. A família é chamada de Dogmush, e o setor do clã que capturou o jornalista se intitula "Exército do Islã", sob o comando de Mumtaz Dogmush. Esta é uma pequena facção armada que já teve ligação com o Hamas, o movimento islâmico radical que assumiu o poder no Parlamento palestino nas eleições de 2006 ao derrotar os adversários do movimento secular nacionalista Fatah. Mas, quando capturou Johnston, o Exército do Islã se desentendeu com os dois grupos. A facção parecia se aproveitar dos conflitos que levaram o Hamas a assumir o poder na Faixa de Gaza em junho de 2007. Parecia que nada poderia ser feito pelas dois grupos para libertar Johnson, apesar de uma campanha mundial para pressionar autoridades palestinas. Felizmente para o jornalista, quando o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza as regras do jogo parecem ter mudado. Prioridade A prioridade do Hamas é restaurar a lei e a ordem na Faixa de Gaza e um dos primeiros assuntos em pauta foi a libertação de Alan Johnston. As Forças Executivas do grupo, uma espécie de força policial irregular na Faixa de Gaza, e seu braço militar, as Brigadas Izzedine al-Qassam, foram enviados para a vizinhança da família Dogmush. Cerca de cinco membros do clã foram detidos nos últimos dias. Há informações de que a água e a eletricidade foram cortadas em algumas ruas. As forças partidárias do Hamas não apelaram para uma solução militar para a libertação do jornalista, o que poderia ter colocado a vida de Johnston, de seus captores, de vizinhos e de equipes de resgate em risco. E os captores claramente temiam esta possibilidade. Em certo momento, eles vestiram Johnston com o que parecia ser um cinto de explosivos, do tipo usado por suicidas, que afirmavam que seria detonado caso eles fossem atacados. Sem acordo Os detalhes finais da libertação de Alan Johnson não foram divulgados. Quando o jornalista saiu de um prédio onde aparentemente teria sido entregue, encontrou Fayed Abu Shammala, seu colega no escritório da BBC na Faixa de Gaza. Fayed e um grupo de atiradores do Hamas guiaram Johnston por uma fileira de carros e eles foram para a casa do ex-primeiro-ministro Ismail Haniya. Na casa de Haniya, ocorreu um encontro com o ex-primeiro-ministro e outro líder do Hamas: Mahmoud Zahar, ex-ministro do Exterior que teria assumido as negociações para a libertação do jornalista. Zahar afirmou que a libertação foi parte dos esforços do Hamas para implantar a segurança em toda a Faixa de Gaza "sem medo". E acrescentou que, com isso, os jornalistas "poderão trabalhar livremente e de forma objetiva". O ex-ministro insistiu que não houve acordo com o grupo que capturou Johnston e pedia a libertação de prisioneiros palestinos que eram mantidos na Grã-Bretanha e Jordânia. |
NOTÍCIAS RELACIONADAS Cativeiro 'era como ser enterrado vivo', diz repórter04 julho, 2007 | BBC Report Repórter da BBC é libertado na Faixa de Gaza04 julho, 2007 | BBC Report Hamas prende membros de grupo que capturou repórter da BBC02 julho, 2007 | BBC Report Vídeo mostra repórter da BBC 'com explosivos'25 junho, 2007 | BBC Report Vigília marca 100º dia da captura de repórter da BBC; veja vídeo20 junho, 2007 | BBC Report Hamas dá ultimato e exige libertação de repórter da BBC18 junho, 2007 | BBC Report 'Seqüestradores' de repórter da BBC negam libertação17 de junho, 2007 | Notícias Leia a transcrição do vídeo do repórter desaparecido01 junho, 2007 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||