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Atualizado às: 04 de julho, 2007 - 05h38 GMT (02h38 Brasília)
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Repórter da BBC é libertado na Faixa de Gaza
Alan Johnston, depois de ser libertado
Alan Johnston disse que o período no cativeiro foi o pior de sua vida
Depois de quase quatro meses em cativeiro, o jornalista Alan Johnston, correspondente da BBC na Faixa de Gaza, foi libertado nesta quarta-feira (noite de terça-feira pelo horário de Brasília).

Imagens de TV mostraram Johnston, de 45 anos, deixando um prédio e entrando em um carro branco, acompanhado por homens armados.

Ele disse que era "fantástico" estar livre depois de uma "experiência apavorante". Afirmou também que estava cansado, mas com boa saúde.

O repórter foi entregue pelos seqüestradores do grupo autodenominado Exército do Islã a integrantes do grupo militante islâmico Hamas.

Depois de expulsar a facção rival, Fatah, e assumir o controle total da Faixa de Gaza, no mês passado, o Hamas já havia anunciado que iria trabalhar pela libertação de Johnston, inclusive alertando os seqüestradores de que poderia usar a força para libertá-lo.

Cativeiro

Em uma coletiva de imprensa ao lado do líder do Hamas, Ismail Haniya, Johnston agradeceu a todos que trabalharam por sua libertação.

"As últimas 16 semanas foram as piores da minha vida. Eu estava nas mãos de pessoas perigosas e imprevisíveis", disse Johnston.

"Eu literalmente sonhei muitas vezes em estar livre e sempre acordei de volta naquele quarto."

Johnston disse que não foi torturado durante o tempo em que esteve no cativeiro, mas ficou doente por causa da comida.

O jornalista disse que a tomada de poder do Hamas em Gaza e a conseqüente tentativa de melhorar a segurança no território facilitaram a sua libertação.

"Os seqüestradores pareciam muito confortáveis e seguros até ... algumas semanas atrás, quando o Hamas tomou o controle das operações de segurança aqui", afirmou.

Johnston disse ainda que esteve em dois cativeiros diferentes durante o tempo em que permaneceu seqüestrado.

Haniya afirmou que estava muito feliz com a libertação de Johnston e que o jornalista era um amigo do povo palestino.

O ex-premiê palestino também disse esperar que um acordo possa permitir a libertação do soldado israelense Gilad Shalit, seqüestrado em Gaza em junho do ano passado.

Exército do Islã

O jornalista havia sido capturado por homens armados no dia 12 de março, quando deixava o trabalho e voltava para casa, na Cidade de Gaza.

Ele vivia e trabalhava na Faixa de Gaza nos últimos três anos e era o único repórter ocidental permanentemente baseado no território.

O Exército do Islã, um grupo militante pouco conhecido, assumiu a autoria do seqüestro e divulgou vídeos exigindo a libertação de muçulmanos detidos na Grã-Bretanha.

O grupo afirmava que iria matar o refém caso suas exigências não fossem atendidas.

Durante o tempo em que Johnston permaneceu seqüestrado, foram divulgados dois vídeos com imagens dele.

Também foram realizadas manifestações em todo o mundo pedindo a sua libertação, além de uma petição assinada por cerca de 200 mil pessoas.

Hamas X Fatah

Segundo um membro do alto escalão do Hamas, Mahmoud Zahar, não foi feito nenhum acordo com os seqüestradores para a libertação de Johnston.

Zahar disse ainda que o Hamas não trabalhou pela libertação do jornalista com o objetivo de "receber favores do governo britânico".

"Nós fizemos isso por preocupação humanitária e para atingir um objetivo de governo de aumentar a segurança para todos", afirmou.

O líder do Hamas, Khaled Meshaal, que vive exilado na Síria, disse à agência de notícias Reuters que a libertação de Johnston "mostrou a diferença entre uma época em que um grupo (o rival Fatah) costumava encorajar e praticar a anarquia na segurança... e a situação atual, na qual o Hamas está buscando estabilizar a segurança".

Rádio

Na coletiva de imprensa após sua libertação, Johnston disse que, depois de trabalhar e viver por três anos na Faixa de Gaza, conhecia bem a tradição palestina de hospitalidade e considerava seus seqüestradores uma "aberração".

Ele disse que estava ansioso para se reunir com seus familiares, na Escócia, e lamentava que suas "ações" tenham causado sofrimento em suas vidas.

Depois de ser libertado, o repórter falou rapidamente com seu pai por telefone.

Johnston disse que acompanhou os esforços pela sua libertação ouvindo o Serviço Mundial da BBC pelo rádio.

Segundo Johnston, as notícias sobre manifestações ao redor do mundo por sua libertação foram um conforto para ele durante o cativeiro.

A BBC divulgou uma nota expressando alívio e satisfação com a libertação de seu funcionário e agradecendo a todos os que trabalharam para que Johnston fosse libertado, tanto na BBC quanto no Oriente Médio.

Johnston deixou Gaza na manhã desta quarta-feira, entrando em Israel via Erez.

Alan JohnstonRepórter libertado
Alan Johnston ficou em cativeiro 114 dias.
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