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Atualizado às: 09 de julho, 2007 - 08h42 GMT (05h42 Brasília)
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Mudanças climáticas aquecem mercado de vinhos ingleses

cacho de uvas
Temperaturas na região produtora estão 1ºC acima da média
Os produtores de vinho da Inglaterra não têm motivos para se queixar do aquecimento global. O aumento das temperaturas vem favorecendo a expansão de um mercado que não desfruta de qualquer tradição e ainda é pouco conhecido entre os ingleses.

Em entrevista à BBC Brasil, o presidente do English Wine Producers (Produtores Ingleses de Vinho), Mike Roberts, disse que “a indústria vem se beneficiando com a elevação nos termômetros”, que faz com que o clima da região sudeste, onde está concentrada a grande maioria dos 362 vinhedos da Inglaterra, torne-se mais propício para o cultivo.

De acordo o Met Office, o serviço de metereologia do governo britânico, as temperaturas registradas nos últimos três anos no sudeste da Inglaterra estão 1ºC acima da média de 13,7ºC, ideal para o amadurecimento das uvas.

“Houve um aumento na produção de vinhos nos últimos anos, com destaque para o ano passado, quando a produção média de garrafas saltou de 2,1 milhões para 3,4 milhões”, afirma Mike Roberts, acrescentando que toda a produção é vendida internamente, principalmente para restaurantes.

Alerta

Roberts reconhece, no entanto, que se as mudanças climáticas continuarem ocorrendo poderão causar problemas, como as recentes chuvas que caíram nas últimas semanas, provocando alagamentos e devastando algumas plantações de uvas.

Segundo ele, "a temperatura atual está perfeita", admitindo que se o clima esquentar demais, pode prejudicar a colheita.

A enóloga Lucie Parker alerta para as consequências.

“Se o clima continuar esquentando, a indústria de vinhos poderá enfrentar sérios problemas, como o surgimento de novas pragas, a falta de água, e a necessidade de introduzir novas variedades de uvas.”

Crítico do discurso “catástrofico” sobre o aquecimento global, Mike Hulme, diretor do Centro Tyndall para Pesquisas em Mudanças Climáticas, na Grã-Bretanha, disse que a expansão da indústria de vinhos pode servir como exemplo do “lado bom” do aumento das temperaturas.

“É preciso reconhecer que as uvas gostam de um clima mais quente e, nesse sentido, o aumento das temperaturas está certamente ajudando os produtores ingleses,” afirma.

Prêmios

Além do aumento da produção, fruto de uma demanda cada vez maior do mercado interno, os vinhos ingleses também ganharam em qualidade. Os produtores comemoram os prêmios que os vinhos nacionais receberam, em maio, durante a competição promovida pelo International Wine Challenge (IWC), uma das mais reconhecidas da indústria.

Desde que a competição foi lançada, há 24 anos, os vinhos ingleses não ganhavam tantas medalhas. Foram 21 no total, o que representa o dobro das premiações obtidas em 2005.

“Com os dias mais quentes, as uvas perdem acidez, ganham açúcar e amadurecem mais rápido, originando um vinho que concentra muito mais sabor”, explica Christopher White, diretor da vinícula Denbies Wine State, vencedora da única medalha de ouro entre os ingleses, com o espumante Greenfield 2003, um dos anos mais quentes da história da Grã-Bretanha.

Maior vinícula do país, a Denbies fica na região do Surrey, ao sul de Londres, e é responsável por 10% da produção nacional.

"A demanda já aumentou 30% desde o ano passado e para 2007 queremos aumentar a produção de 570 mil garrafas para 610 mil", diz White, que vende toda sua produção para restaurantes.

Semelhanças com o champagne

No momento, a produção de vinhos na Inglaterra é maior do que a dos espumantes, mas a situação começa a se inverter.

“Por causa da proximidade e agora com as temperaturas um pouco mais elevadas, o clima do sudeste está bem similar ao do norte da França, favorecendo o cultivo de uvas mais adequadas para a fabricação dos espumantes”, comenta Mike Roberts.

Cauteloso, ele diz que é prematuro afirmar que, em dez anos, o espumante inglês será tão bom e famoso quanto o champagne, mesmo porque até lá a produção inglesa nao terá sido capaz de se equiparar à francesa.

Atualmente, a França produz 300 milhões de garrafas de champagne por ano, enquanto a Inglaterra espera produzir 11 milhões de garrafas de espumantes daqui a uma década.

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