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Brasil poderia ter 17 mil refugiados colombianos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O número de refugiados colombianos no Brasil poderia chegar a 17 mil, caso as pessoas que fugiram do conflito para o território brasileiro tivessem sua situação reconhecida oficialmente, segundo estimativas da agência da ONU responsável pelo assunto. Se a estimativa do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) estiver correta, o número refugiados colombianos de fato no Brasil seria 37 vezes mais alto do que os 452 reconhecidos oficialmente pela ONU e pelo governo brasileiro. "Hoje, essas pessoas (que não têm o status oficial) são consideradas em situação de necessidade internacional. Não sabemos ao certo se deixaram seu país por razões políticas, econômicas, ou quaisquer outras razões", afirma o porta-voz da Acnur em Genebra, William Spindler. "Mas achamos que a razão foi a violência na Colômbia, e que elas poderiam obter o status de refugiados se formalizassem o pedido." Segundo o Conselho Nacional para os Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça, os pedidos de refúgios por parte de colombianos no Brasil totalizaram 118 em 2006. No ano anterior, haviam sido 172. Em 2005, 98 e em 2004, 41. Criado em 1998, o Conselho iniciou suas atividades em 1999. Naquele ano, apenas dois pedidos de refúgio foram protocolados. Hoje, o Brasil tem apenas cerca de 3,4 mil refugiados, provenientes sobretudo de países africanos, de acordo com um relatório divulgado pelo comissariado em Londres.
A fuga de colombianos para o Brasil revela apenas uma pequena parte da realidade enfrentada pela população do país vizinho. No total, os colombianos classificados como refugiados em todo o mundo saltaram de 1,9 mil em 1995 para 47 mil em 2004, de acordo com o relatório do Acnur. Entretanto, o mesmo organismo estima que pelo menos 250 mil colombianos tenham cruzado a fronteira para o Equador, além de outros 100 mil que se dirigiram à Venezuela. William Spindler diz que muitos dos migrantes são tribos indígenas que, ao deixar sua terra natal, acabam perdendo parte de sua linguagem, cultura e identidade, normalmente atreladas à terra nativa. Por outro lado, a sua chegada a cidades de fronteira - normalmente menos desenvolvidas, onde a infraestrutura e a oferta de serviços públicos são precárias - gera o que ele chama de "pressão social" nas comunidades. "Quem recebe essas populações que chegam necessitando de trabalho, de comida, de teto, são aquelas comunidades mais pobres, menos desenvolvidas", diz ele. "Por isso, tentamos ajudar a essas comunidades com projetos que atendam não apenas aos imigrantes, mas a todos." "Se toda a comunidade se beneficia de projetos na área de educação e de saúde, por exemplo, continua aberta aos futuros imigrantes." Ainda segundo a Acnur, a Colômbia é o país do mundo com maior número de "deslocados internos", ou seja, refugiados em seu próprio país. Estima-se que, até 2004, 2 milhões de colombianos haviam deixado suas casas para escapar da violência. |
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