|
EUA enfrentam tempestade com crises no Oriente Médio | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Oriente Médio hoje é uma tempestade, comprovando mais do que nunca a incapacidade do ambicioso timoneiro George W. Bush de conduzir os interesses americanos para um porto seguro. Há desastres no horizonte. E a tempestade vai além dos mares (ou desertos) do Oriente Médio. No Afeganistão, no domingo, o Talebã realizou seu maior ataque suicida desde a invasão liderada pelos EUA em 2001, com um atentado contra um ônibus da academia de polícia que deixou dezenas de mortos. E no Paquistão, há cada vez mais dúvidas sobre a solidez do presidente Pervez Musharraf, mais um dos pouco confiáveis aliados americanos na chamada guerra contra o terror. Mas vamos delimitar as turbulências. O clichê Oriente Médio em chamas é plenamente adequado: há o colapso do projeto nacional palestino, as várias frentes de batalha dentro do pequeno Líbano, as ansiedades sobre o futuro do presidente egípcio Hosni Mubarak e a constatação escancarada de que a nova estratégia americana no Iraque de reforço de tropas não mostra resultados satisfatórios. Cada ponto de crise tem sua própria dinâmica, mas o denominador comum são dirigentes vitais para os interesses americanos na berlinda. Estratégia em pane A ambiciosa estratégia do governo Bush de arquitetar um nova ordem no Oriente Médio com legitimidade democrática está em pane. Existe na verdade um novo cenário com desafios bastante complexos que podem resultar em um vasto desastre para os interesses americanos. A região era tradicionalmente dividida pelo conflito entre árabes e israelenses. Na macroavaliação de Richard Haass, presidente do Council on Foreign Relations e ex-planejador estratégico do Departamento de Estado no governo Bush, o Oriente Médio agora também é campo de batalha para três outras rivalidades: os Estados Unidos e seus aliados contra um eixo Irã-Síria travando guerras de procuração; governos seculares contra o extremismo religioso inspirado pela rede Al Qaeda ou a revolução xiita do Irã; e governos autocráticos recorrendo a táticas draconianas para conter mudanças democráticas. Ramid Khouri, da American University, em Beirute, complementa que estes desafios estão "estruturalmente vinculados". Mas, dividindo as partes, é o seguinte: o triunfo do Hamas em Gaza mostra o fracasso do projeto de Bush delineado há cinco anos de reconhecer o direito de um Estado palestino coexistindo com Israel, o grande aliado americano. Foi uma sucessão de reveses para o governo Bush. O chamado americano por eleições palestinas resultou na vitória do Hamas e o isolamento dos vitoriosos extremistas islâmicos não reverteu no fortalecimento dos "moderados" seculares do Fatah do presidente Mahmoud Abbas. O produto do fiasco é o racha palestino, o que agrava a instabilidade na região e torna ainda mais remoto um efetivo processo de negociações de paz com Israel. Escalada militar No Líbano, o governo pró-ocidental de Fouad Siniora enfrenta uma tripla ameaça: seu Exército combate centenas de militantes do grupo Fatah al-Islam, que é pró-Al Qaeda; a recente morte do deputado anti-Síria Qalid Eido, em um atentado, aprofundou o temor de que o regime de Damasco queira reassegurar seu controle no país; e o grupo xiita Hezbollah consolida seu mini-Estado dentro do Líbano. Para Israel, é um enclave islâmico ao norte, no Líbano, e um outro, ao sul, com o Hamas em Gaza. É um quadro geopolítico que abre perspectivas de uma escalada militar. EUA e Israel também temem o impacto destes triunfos islâmicos no Egito, que está tentando fechar sua fronteira para refugiados de Gaza e se preocupa com o desafio interno da Irmandade Muçulmana, o grupo radical islâmico com o qual o Hamas é afiliado. Uma nova rodada eleitoral no Egito foi marcada por irregularidades, comprovando que avanços democráticos estão em segundo plano diante da ameaça islâmica. E, finalmente, há o Iraque, mãe das tempestades para os interesses americanos. Vexaminosa aventura Altas autoridades americanas seguem fazendo visitas de surpresa ao Iraque para pressionar Maliki enquanto nos EUA aumenta a impaciência popular com a vexaminosa aventura de Bush, que formalmente tem até setembro para apresentar resultados positivos de sua nova estratégia iraquiana. Os americanos atiram para todos os lados. Insistem que o xiita Maliki está prestigiado e arriscam assistência a grupos tribais sunitas que se comprometeram a combater a rede Al Qaeda no Iraque. A pressão popular nos EUA é por um calendário de retirada das tropas, mas Bush se diz agora interessado no "modelo coreano", ou seja, um contingente menor no Iraque, mas presente por décadas a fio. Já na crise palestina, as respostas são mais de curtíssimo prazo, baseadas na velha cartada de apoiar os "moderados" do Fatah e isolar o Hamas. A rigor, nesta tempestade, o governo Bush vai ao sabor dos ventos. Os últimos 18 meses do governo Bush prometem ser uma lenta agonia de sua política externa, mas neste período não podem ser descartados eventos dramáticos como a desintegração do Iraque, um ataque contra o Irã por instigação da linha-dura capitaneada pelo vice-presidente Dick Cheney e incursões de Israel contra grupos islâmicos ao norte e ao sul do país. Em um sombrio ensaio, Christopher Fettweis, professor do US Naval War College, escreve que é hora de entender o significado da derrota americana no Iraque. Para ele, se o que aconteceu no Iraque levar os EUA a retornarem a uma grande estratégia mais contida, talvez a experiência não terá sido em vão. Mas, por enquanto, é preciso atravessar os mares e os desertos durante a tempestade perfeita. Jornada turbulenta e perigosa. Ironicamente, as ações do imperial Bush mostraram os limites do império americano. |
NOTÍCIAS RELACIONADAS Abbas empossa governo palestino sem o Hamas17 de junho, 2007 | Notícias Explosão mata até 35 pessoas no Afeganistão17 de junho, 2007 | Notícias Bagdá vive nova operação dos EUA contra insurgentes16 de junho, 2007 | Notícias Corpos de atletas iraquianos levados em 2006 são encontrados16 de junho, 2007 | Notícias Sob condição, EUA prometem fim de embargo palestino16 de junho, 2007 | Notícias Novo governo palestino é chance para paz, diz Olmert16 de junho, 2007 | Notícias Confrontos entre palestinos atingem a Cisjordânia16 de junho, 2007 | Notícias | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||