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Atualizado às: 13 de junho, 2007 - 10h39 GMT (07h39 Brasília)
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Loja francesa cria oficina unissex para brincar de bonecas
Menino brinca de boneca em oficina na França (Foto: Divulgação)
Boneca não influencia sexualidade das crianças, diz Corolle
Uma rede de lojas de brinquedos na França está criando oficinas para que meninos e meninas se divirtam lado a lado brincando com bonecas.

Em uma época na qual se fala do "novo homem" – mais participativo nas tarefas domésticas e disposto a cuidar mais ativamente da educação de seus filhos – as lojas e fabricantes querem abocanhar um nicho de mercado formado por pais e mães que vêem com naturalidade meninos desempenharem um passatempo tido como feminino.

A primeira oficina, organizada pela tradicional loja de brinquedos Corolle, ocorreu em Paris, onde garotos e garotas acima de três anos brincaram em um ateliê cercado de bonecas, berços e ambientes que simularam o espaço doméstico.

As crianças brincaram de dar comida, banho e berço a suas respectivas bonecas. Depois, comeram lanche e ganharam presentes da mais conhecida marca de brinquedos do país.

"Brincar de bonecas não é mais só para meninas, agora que os papais estão tão presentes na vida de seus filhos e investem na educação deles", dizia o convite de Corolle para uma nova rodada de oficinas que ocorrerá em setembro.

Marketing

As oficinas estão sendo realizadas em meio a um impasse no setor de brinquedos tradicionais na França. No ano passado, a venda de bonecas caiu mais de 10%, segundo estimativas publicadas no jornal Le Figaro.

Mas a Corolle lembra que sua linha para garotos já existia antes das oficinas.

"Hoje, o pai coloca o seu bebê no ombro, o leva ao pediatra, e tira todas as grandes e pequenas dúvidas que tem. Não hesita em perguntar como cortar as unhas do seu filho, que produto utilizar para a pele", diz a pediatra Edwige Antier, autora de um livro sobre o tema, em material de divulgação da empresa.

Crianças passeiam suas crianças em Paris (Foto: Divulgação)
A partir dos três anos, menino se comporta como pai, diz pediatra

"Os pais estão familiarizados com a idéia de que cuidar do seu bebê não representa um atentado à 'virilidade' de seu 'homenzinho'", ela disse.

Antier afirma, entretanto, que meninos e meninas se comportam de maneira diferente ao cuidar de seus 'bebês'.

"A menina se sente potente ao representar a mãe. Já o menino evolui para dois estágios: antes dos três anos, ele se identifica com sua mãe mais que a imita. Às vezes ele coloca seu 'bebê' sob a camisa e afirma que está 'grávido'", ela diz.

"Por volta dos três anos, ele toma consciência não apenas de que é um menino, mas também de que é diferente das meninas, e passa a manipular o seu bebê com os mesmos gestos firmes que seu pai."

Para a pediatra, "não é o brinquedo que influencia a sexualidade da criança. Mas o uso do brinquedo é determinante para a identidade dela".

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