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Livro aponta exploração na indústria de brinquedos da China | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As condições de trabalho nas indústrias de brinquedo da China, onde são produzidos 80% dos brinquedos vendidos nos países ocidentais, são descritas como "chocantes" em uma investigação independente que serviu de base para o livro The Real Toy Story, lançado nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. De acordo com o estudo, conduzido por Eric Clark, autor do livro que é um dos best-sellers nos Estados Unidos, os funcionários das indústrias chegam a trabalhar 100 horas por semana e, freqüentemente, trabalham por muitas semanas sem ter um dia de folga. "É uma indústria indecente", afirma Clark, um jornalista inglês que conduziu as investigações independentes sobre o mercado. Pelos cálculos do autor, que entrevistou mais de 200 especialistas do mercado, os empregados chineses ficam com apenas o equivalente a R$ 1,60 de cada brinquedo que é vendido por cerca de R$ 100, o que representa apenas 1,6% do valor final do produto. A indústria de brinquedos movimenta cerca de US$ 30 bilhões por ano. Existem atualmente mais de 150 mil diferentes tipos de brinquedo no mercado e cerca de 40% desse total é formado por brinquedos novos lançados no mercado a cada ano. Eletrônicos De acordo com Clark, em um ano, o presidente da indústria de brinquedos Mattel ganhou mais do que a soma dos salários dos 11 mil trabalhadores de suas fábricas na China. Nos Estados Unidos, as duas maiores companhias de brinquedo do mundo, Mattel e Hasbro, produzem mais de um terço dos brinquedos vendidos no mundo, o equivalente a US$ 10 bilhões por ano. No Brasil, a indústria teve um faturamento de R$ 1 bilhão, em 2006, com crescimento de 5,3% em relação ao ano anterior. De acordo com a Abrinq (Associação Brasileira dos fabricantes de brinquedos), 40% dos brinquedos importados vendidos no Brasil são provenientes da China. Clark também destaca o fato de que o público infantil migra cada dia mais cedo para eletrônicos como o iPod ou videogames em vez de optar por brinquedos tradicionais como bonecas e carrinhos. Como uma forma de recuperar os consumidores perdidos para a indústria de eletrônicos, fabricantes de brinquedos tradicionais começaram a adotar uma postura mais agressiva para vender seus produtos. De acordo com o autor do relatório, os fabricantes chegam a marcar sua presença em salas virtuais de bate-papo. "As empresas convencem algumas pessoas a se passar por crianças em conversas eletrônicas e convencer outras crianças a adquirir novos brinquedos", diz o jornalista. Clark afirma ainda que alguns sites na internet oferecem recompensas às crianças que promovem os produtos entre seus amigos. "Se a indústria de brinquedos investisse 50 centavos a mais por unidade, a exploração dos trabalhadores chineses chegaria ao fim", conclui. |
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