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Após polêmica, Embrapa cancela missão à Venezuela | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Embrapa cancelou nesta segunda-feira a viagem à Venezuela de uma missão que iria ao país acertar detalhes de cooperação técnica nas áreas de agricultura e pecuária. O motivo oficial, informado pela Embrapa em uma carta dirigida ao governo venezuelano, é que o presidente da empresa, Silvio Crestana, não poderia se ausentar porque os funcionários decidiram realizar uma paralisação nesta quarta-feira. Conforme a carta, a viagem seria remarcada para outra data. Mas, antes mesmo da decisão dos funcionários pela paralisação, pessoas envolvidas na missão já haviam recebido a informação, na manhã de segunda-feira, de que a viagem seria cancelada por causa de declarações do presidente Hugo Chávez e de membros do governo brasileiro desde a semana passada. A informação de que o cancelamento devia-se à troca de farpas entre integrantes dos dois governos foi confirmada inicialmente pela assessoria de imprensa da Embrapa, que depois mudou a versão e informou sobre a carta enviada ao governo venezuelano. Segundo um diplomata brasileiro, a empresa pode ter avaliado que a viagem neste momento não teria a mesma repercussão, na Venezuela, do que se ocorresse num momento mais tranqüilo nas relações entre os dois países. O bate-boca começou na quinta-feira, quando o presidente Chávez disse que o Congresso brasileiro agia como “papagaio do governo americano”, por ter aprovado uma moção pedindo que o governo venezuelano reconsiderasse o fechamento da emissora RCTV. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu dizendo que “Chávez cuida da Venezuela e eu cuido do Brasil”. O Itamaraty chegou a divulgar uma nota oficial repudiando as declarações de Chávez e defendendo a independência do Congresso brasileiro. Neste fim de semana, Chávez voltou a criticar o governo brasileiro, mas o presidente Lula, em entrevista à BBC gravada no sábado e divulgada nesta segunda-feira, disse que Chávez é um parceiro e que não iria brigar com ele. Parcerias Além do presidente da Embrapa, outros três diretores da empresa, subordinada ao Ministério da Agricultura, iriam a Caracas para conversar sobre parcerias em projetos com o governo venezuelano Eles viajariam nesta terça-feira e tinham agendados encontros com membros do governo venezuelano na quarta-feira. Os venezuelanos estão interessados na experiência brasileira nas áreas de soja, pecuária leiteira e de corte, leguminosas, biodiesel a partir da mamona e arroz. A embaixada do Brasil em Caracas também recebeu uma cópia da carta da Embrapa, de acordo com o Itamaraty. O intercâmbio comercial entre os dois países vem crescendo bastante nos últimos anos, a ponto de o Brasil disputar com a Colômbia o posto de segundo maior fornecedor da Venezuela, depois apenas dos Estados Unidos. No ano passado, o Brasil exportou US$ 3,5 bilhões à Venezuela, um crescimento de 60% em relação ao ano anterior e o equivalente a 2,59% das vendas externas brasileiras. Este ano, a participação venezuelana nas exportações brasileiras cresceu para 2,69%, com um incremento de 28,6% no volume de exportações nos primeiros quatro meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado. A balança comercial é fortemente superavitária para o Brasil. No ano passado, o país importou da Venezuela US$ 591 milhões, o equivalente a 0,65% do total das importações brasileiras. Nos primeiros quatro meses deste ano, as importações caíram 20,6% em relação ao mesmo período do ano passado e a participação no total caiu pela metade, para 0,33%. Derivados de petróleo são os principais produtos de exportação da Venezuela para o Brasil. Já o Brasil tem uma pauta de exportações variada, liderada por automóveis, terminais de telefonia celular e carnes de frango e bovina. |
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