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Genética mostra que sou guerreiro, diz Obina do Flamengo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A genética mostra que Obina é um "guerreiro", disse o próprio jogador do Flamengo, ao saber do resultados de exames de DNA que indicaram que quase um quarto dos seus genes é indígena. "Mostra que eu sou um guerreiro, que estou sempre correndo atrás dos meus objetivos", reagiu o atacante, que fez os testes a convite da BBC Brasil. Além da surpresa com os 25,4% de genes indígenas, Obina ficou orgulhoso ao saber que as raízes africanas predominam na sua composição genética - com 61,4% dos seus genes. Os 13,2% restantes seriam europeus, segundo as estimativas do geneticista Sérgio Pena, professor titular de bioquímica da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e diretor do laboratório Gene.
"Fiquei feliz em saber que eu sou africano. Meu pai sempre falou que eu era africano", disse Obina. "Fiquei também muito surpreso ao saber que tem um pouco de europeu no meu sangue." Iorubá A fim de obter uma quadro genético mais completo, Sérgio Pena também analisou as linhagens materna e paterna de Obina, assim como dos outros negros famosos brasileiros convidados pela BBC Brasil para fazer os testes (Milton Nascimento, Djavan, Sandra de Sá, Neguinho da Beija-Flor, Ildi Silva, Daiane dos Santos, Frei David e Seu Jorge). Ao rastrear a ancestralidade materna do jogador baiano, Pena descobriu uma seqüência genética idêntica à de um indivíduo Iorubá, grupo que predominou no fluxo de africanos para a Bahia. "Embora este haplogrupo (conjunto de seqüências genéticas) seja mais freqüente na África Central, uma seqüência genética idêntica à de Manuel Brito Filho foi visto em apenas um indivíduo, Iorubá, nascido na Nigéria", diz o relatório do geneticista sobre Obina. O jogador diz que não se identifica, mas respeita a a religião do candomblé, forte traço da cultura Iorubá e da Bahia. "Sou católico, mas não gosto que falem mal. Como baiano, tenho que amar a Bahia." A análise do cromossomo Y, parte do DNA que revela a linhagem paterna, revelou seqüências genéticas características do Oriente Médio, visto com freqüência em judeus e populações árabes. O haplogrupo (conjunto de seqüências genéticas) ao qual pertence a sequência de Obina também está presente em 6,5% da população de Portugal e em freqüências variáveis em outros países da Europa. Para chegar a esses resultados, Sérgio Pena e sua equipe comparam os resultados dos exames de DNA com os que estão cadastrados em bancos de dados internacionais e do próprio laboratório Gene. O geneticista Sérgio Pena explica, no entanto, que os testes de ancestralidades materna e paterna revelam apenas o ancestral mais antigo de cada lado. Daí a importância de se fazer o teste de ancestralidade genômica que tira uma "média" do DNA e estima as porcentagens de ancestralidade africana, européia e ameríndia. Sérgio Pena calcula em 2,5% a margem de erro dos testes de ancestralidade genômica. |
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