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'Brasil tem a cara do futuro', diz professor | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Para o professor de Harvard Henry Louis Gates Jr., o Brasil é a expressão máxima da miscigenação populacional e tem "a cara do futuro". "No Brasil, ninguém é puro. E é por isso que o Brasil tem a cara do futuro", afirmou, prevendo que a miscigenação ao redor do mundo fará com que pessoas que descendem de um só grupo geográfico sejam cada vez mais raras. Em entrevista à BBC Brasil, Gates, coordenador de um projeto nos Estados Unidos que analisou as origens genéticas de 9 negros famosos, disse que, apesar disso, o Brasil "negou" sua ascendência africana até pouco tempo atrás. "O Brasil é a segunda maior nação africana depois da Nigéria", disse Gates. A idéia de que nenhum brasileiro é puro é confirmada pelo médico geneticista Sérgio Danilo Pena, professor titular de bioquímica da Universidade Federal de Minas Gerais e autor de vários estudos sobre a composição genética do brasileiro. "Tirando os imigrantes de primeira e de segunda geração, é praticamente impossível que um brasileiro não carregue um pouco de ancestralidade africana ou ameríndia", disse Pena. Senhores e escravas Como semelhança entre EUA e Brasil, o acadêmico americano destacou o fato de nos dois países os exames do cromossomo Y, que indica a linhagem paterna, mostrarem grande componente europeu, enquanto que a linhagem materna aparece bem mais diversificada entre européias, africanas e indígenas. A explicação, segundo Gates, é que nos dois países era comum que os colonizadores mantivessem relacionamentos sexuais - freqüentemente forçados - com escravas ou mulheres indígenas. O historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Manolo Florentino concorda que o relacionamento forçado fosse comum, mas destaca que análises recentes tem descoberto que a miscigenação também foi, em grande parte, resultado de relacionamentos consensuais entre portugueses pobres e mulheres negras e indígenas. "A riqueza aparta as pessoas, mas a pobreza une. Havia pelo Brasil, muitos portugueses pobres, aventureiros que vinham tentar a vida aqui. A miscigenação que existe hoje é também resultado dessa história de pobres amantes", disse Florentino. Identidade A principal diferença entre Brasil e Estados Unidos no que diz respeito à composição "racial" remete ao que aconteceu após a colonização, segundo o professor de Harvard. A união entre brancos e negros nos Estados Unidos foi proibida até o final do século 20, embora continuasse havendo mistura, enquanto no Brasil a miscigenação ocorreu de forma mais intensa. O geneticista Sérgio Danilo Pena corrobora a tese e chama atenção para o que acontece com o filho do casamento do branco europeu com a escrava negra. "No Brasil, se ele for claro, ele é considerado e tratado como branco a partir daí. Nos EUA, é irrelevante a cor da pele, ele é sempre um negro." Resultados nos EUA O projeto coordenado por Henry Louis Gates Jr. analisou o DNA de celebridades como a apresentadora de TV Oprah Winfrey e a atriz Whoopi Goldberg. O próprio Gates, um dos nove analisados, diz ter se surpreendido ao saber que seu DNA mitocondrial (linhagem materna) remete ao norte da Europa e o cromossomo Y (paterno) remete à Irlanda. "Sou 50% europeu e 50% africano, e o meu último parente branco viveu há 200 anos. Sou um 'mulato'", disse ele, ainda em tom de espanto, à BBC Brasil. Os exames mostraram que a atriz Whoopi Goldberg, por exemplo, descende de dois grupos de Guiné-Bissau, na África Ocidental, e Oprah Winfrey, da Libéria. |
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