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Milton Nascimento é '99,3% africano' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Nada menos do que 99,3% dos genes de Milton Nascimento vieram da África, indica uma análise do DNA do cantor feita a pedido da BBC Brasil, como parte do especial Raízes Afro-Brasileiras. De acordo com o resultado, Milton é o "mais africano" dos nove negros famosos testados pelo geneticista Sérgio Danilo Pena, professor de Bioquímica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e diretor do Laboratório Gene, também em Belo Horizonte. "Com essa margem de erro (de 2,5%), ele pode ser considerado 100% africano", afirmou Pena. "É tão ou mais africano do que alguém da África." Uma curiosidade é que "o mais africano" dos nove convidados foi criado por pais adotivos brancos. Baseado em uma "média" do patrimônio genético de uma pessoa, o exame de "ancestralidade genômica" indicou ainda que 0,4% dos genes de Milton têm origem européia e 0,3%, ameríndia. Participaram também do especial: Sandra de Sá, Neguinho da Beija-Flor, Frei David, Daiane dos Santos, Djavan, Ildi Silva e Obina, do Flamengo.
Ancestrais africanos Além do teste que estimou as porções africana, européia e ameríndia na composição genética dos convidados, o geneticista mineiro realizou outros dois exames para rastrear as linhagens paterna (pelo cromossomo Y) e materna (pelo DNA mitocondrial) de cada um. Esses dois testes são conhecidos como marcadores de linhagem porque, segundo os geneticistas, atravessam gerações sem sofrer mudanças, salvo em casos de mutações. No caso de Milton, eles localizaram ancestrais africanos dos dois lados. Ao analisar o lado materno, a equipe de Sérgio Pena descobriu um conjunto de seqüências genéticas (haplogrupo) semelhantes às da cantora Sandra de Sá. Batizado de haplogrupo L3d pelos geneticistas, ele remete a uma linhagem antiga que surgiu na Etiópia 50 mil anos atrás, de onde migrou para a África Ocidental. "Essas seqüências são vistas com freqüência na população negra do Caribe e dos EUA, mas são mais raras no Brasil, exceto na Bahia", diz Sérgio Pena em seu relatório sobre Milton Nascimento. A análise da linhagem paterna do cantor revelou um conjunto de seqüências genéticas muito freqüente em toda a África Subsaariana, com distribuição geográfica nas três regiões que enviaram milhões de pessoas como escravos ao Brasil (Oeste, Centro-Oeste e Sudeste da África). Trata-se do haplogrupo (conjunto de seqüências genéticas) E3a7, o mesmo do de Neguinho da Beija-Flor, que, diferentemente de Milton, é mais "europeu" (67%) do que "africano" (31%). Esse rastreamento dos genitores é possível porque tanto o cromossomo Y como o DNA mitocondrial são transmitidos praticamente inalterados de geração em geração. Na analogia usada por Pena, são como sobrenomes que se mantêm intactos ao longo do tempo. O geneticista explica, no entanto, que os testes de ancestralidade materna e paterna revelam apenas o ancestral mais antigo de cada lado. Daí a importância de se fazer o teste de ancestralidade genômica que tira uma "média" do DNA e estima as porcentagens de ancestralidade africana, européia e ameríndia. Sérgio Pena calcula em 2,5% a margem de erro dos testes de ancestralidade genômica. Milton Nascimento aceitou, por meio de sua assessoria, o convite da BBC Brasil para participar do projeto Raízes Afro-Brasileiras e enviou uma amostra de saliva ao Laboratório Gene para o exame de DNA, mas até a publicação desta matéria não havia se manifestado sobre os resultados. |
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