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Atualizado às: 30 de maio, 2007 - 20h54 GMT (17h54 Brasília)
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Oposição na Venezuela pede referendo sobre fechamento de TV

Manifestante em Caracas
A polícia vem reprimindo protestos contra o fechamento da RCTV
Um dos líderes da oposição venezuelana, o governador Manuel Rosales, do Estado de Zulia, defendeu nesta quarta-feira a realização de um referendo popular sobre o fechamento da emissora de televisão RCTV, determinado pelo presidente Hugo Chávez.

Rosales, derrotado por Chávez nas últimas eleições presidenciais, acusou o governo de querer "apropriar-se" de todos os meios de comunicação para "impor o silêncio" ao povo venezuelano.

Ainda nesta quarta-feira, venezuelanos voltaram às ruas para se manifestar, pelo terceiro dia consecutivo, contra e a favor do fechamento da RCTV, que saiu do ar no domingo depois que o governo se recusou a renovar a sua licença.

Com bandeiras do país, faixas e cartazes pedindo “pluralismo”, “a volta das novelas” e “liberdade de expressão”, universitários e outros manifestantes gritaram palavras de ordem contra o governo do presidente Hugo Chávez.

Eles deram vaias ao passar em frente ao prédio da Universidade Bolivariana da Venezuela (UBV), em Caracas, criada por Chávez há cerca de quatro anos.

No centro da capital venezuelana, outros grupos voltaram a se manifestar a favor da decisão de Hugo Chávez de não renovar a licença da emissora privada mais antiga da Venezuela.

Chávez alega que a licença da RCTV não foi renovada em nome do interesse público, já que seus programas representavam um "ataque permanente à moral do público", com novelas que eram como "cascavéis peçonhentas" e desenhos animados para crianças "contaminados com ódio, violência e mesmo sexo".

Ele também qualificou a RCTV de "golpista". Para substituí-la, o governo criou a Televisora Venezolana Social (TEVES), que entrou no ar na mesma freqüência da emissora privada com uma programação classificada como de "serviço público".

Globovisión

Um dos locais escolhidos pelos chavistas foi a Globovisión, outra emissora que o governo acusou na terça-feira de incitar o assassinato do presidente.

Enquanto as marchas eram realizadas, jornalistas da entidade Grupo de Periodistas por la Verdad (Grupo de Jornalistas pela Verdade) foram mostrados, ao vivo pela Globovisión, na porta da emissora, criticando “atitude agressiva” da rede de televisão privada contra o governo.

O jornalista venezuelano Marcos Hernández disse que eles também querem liberdade de expressão, mas discordam da filosofia adotada pela Globovisión.

“Com essa atitude, vocês vão acabar contribuindo para desestabilizar o país”, disse. “E não é verdade que a RCTV foi fechada, como vocês informam”, afirmou o jornalista. “A verdade é que a concessão não foi renovada. E estamos em festa porque o novo canal só vai contribuir para a democracia, porque será pluralista.”

Ao saber do protesto na porta do edifício, o diretor geral da emissora, Alberto Federico Ravell, foi conversar com os jornalistas.

“Vocês deveriam fazer a mesma sugestão (de cobertura sem críticas agressivas) ao canal oito (estatal)”, disse.

Ravell afirmou também que nos três primeiros dias de programação a estatal TEVES mostrou apenas “enlatados” americanos. “Estão repetindo o mesmo que criticam das TVs privadas”, afirmou.

Outras concessões

Também nesta quarta-feira, a Comissão Nacional de Telecomunicações de Venezuela garantiu que vai renovar as concessões das 156 emissoras de radio, na freqüência AM, do país.

As concessões, segundo os jornais El Nacional e El Universal, nas suas edições online, venceram domingo, mas até agora apenas cinco rádios tiveram os acordos renovados.

Oficialmente, argumentou-se que o atraso ocorreu por “problemas burocráticos”.

Venezuela
Fechamento da RCTV acirra divisão política no país.
Manifestante na VenezuelaVenezuela
TV sai do ar e gera protestos.
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