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Fechamento da RCTV acirra divisão política na Venezuela | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A divisão política na Venezuela é enorme e a decisão de não renovar a licença de um canal de televisão alinhado com a oposição é exatamente o tipo de problema que aumenta a rixa. Centenas de milhares de pessoas foram às ruas de Caracas, no domingo, algumas para comemorar, outras para protestar porque a rede de televisão mais antiga do país estava sendo tirada do ar. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse aos seus partidários que celebrassem a ocasião e foi o que eles fizeram. Mas com os oposicionistas realizando uma passeata não muito longe dali, o dia terminou com cenas de violência e desordem. Vermelho Tudo começou bem. Bandas pró-governo embalavam a multidão com salsa. "A bela revolução", cantavam os músicos enquanto, na platéia, pessoas vestiam camisetas vermelhas com mensagens socialistas. "O canal deveria ser fechado", disse Doris Ramirez. "A RCTV não faz nenhum bem ao país. Não representa o povo e desrespeita o governo." Outra mulher contou que apoiava Chávez porque ele ajudava os pobres. "Eu sou da classe média, mas voto nele porque ele está fazendo muita diferença. Essa emissora de televisão não diz a verdade." Branco Em outra parte da cidade, o clima era bem diferente. Manifestantes contrários ao governo vestiam camisetas brancas com S.O.S. escrito na frente. Uma canção sentimental, escrita e tocada por funcionários da RCTV, era transmitida em alto-falantes. "Não ao fechamento", eles gritavam. "Liberdade", falavam em coro. "Todos têm o direito de assistir ao que quiserem. Ele não pode tirar do ar esse canal", disse Emilio Berraterom. "Chávez pensa que é dono do país. Ele não é." Reina Martinez abanava sua bandeira. "Nós nascemos com a RCTV", disse. "Nós não concordamos com o presidente. Ele não é nosso presidente." Com a tarde se aproximando, os manifestantes gritavam mais alto.
Oposicionistas gritavam, apitavam e batiam panelas. Alguns foram para a sede da agência reguladora para mostrar desaprovação à decisão de não renovar a concessão da RCTV. Com um forte esquema de segurança, foi sem surpresa que ocorreram confrontos. A polícia usou gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar a multidão. Oficiais dirigindo motocicletas pelas ruas atiravam balas de borracha para o ar. Com a movimentação do protesto, as atenções foram para a sede da RCTV. Algumas centenas de pessoas se reuniram perto do prédio do canal, onde foram erguidas barricadas e a área foi isolada pela polícia. Os últimos momentos de transmissão da RCTV foram emotivos, com os funcionários reunidos em um estúdio para uma imagem final ao vivo. As pessoas do lado de fora cantaram juntas o hino nacional. Sirenes Momentos antes da meia-noite, as cenas emotivas deram lugar aos confrontos. Quando um grupo de partidários de Chávez se aproximou a algumas quadras do prédio da RCTV, a polícia entrou em ação. Em meio ao barulho de sirenes, tiros foram disparados e as pessoas procuraram abrigo. Não estava claro quem estava atirando em quem, mas, alguns minutos mais tarde, mais tiros foram disparados. A atmosfera tornou-se terrível. As pessoas corriam o mais rápido possível pelas ruas estreitas. A RCTV não existia mais, os manifestantes sabiam disso e se arrastaram para casa. Em outro canto da cidade, o governo colocava no ar o substituto da RCTV: o canal estatal TVES, que transmitiu programas gravados ao longo da noite. Partidários da RCTV afirmam que Chávez foi contra a liberdade de expressão ao silenciar o canal que geralmente é crítico. Eles dizem que estão determinados a lutar para proteger seus direitos. O governo diz que o canal violou as leis de transmissão e exibiu programas violentos e "imorais". A decisão de renovar a licença de outras emissoras, afirmaram ministros, mostra que a Venezuela é democrática e pluralista. Os argumentos destacam, mais uma vez, como a Venezuela está profundamente dividida. |
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