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Soldados da ONU 'trocaram armas por ouro no Congo' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Tropas paquistanesas de paz da ONU trocaram ouro e venderam armas para milícias do Congo que deveriam desarmar, segundo informações dadas à BBC. Estes grupos de milícias são culpados de alguns dos piores abusos dos direitos humanos durante a longa Guerra Civil no Congo. O comércio começou em 2005. Uma equipe de investigadores da ONU enviada ao país para coletar provas foi ameaçada e teve seu trabalho dificultado. Estes eventos ocorreram na cidade mineradora de Mongbwalu e em seus arredores, no nordeste do Congo. O batalhão paquistanês da missão pacificadora da ONU, enviado para o local há dois anos, tinha como missão ajudar a trazer a paz para uma área que anteriormente foi palco de confrontos entre os grupos étnicos lendu e hema. Mas, segundo chefe da associação dos mineradores, Liki Likambo, alguns soldados da ONU acabaram demonstrando um grande interesse pelo ouro local. "Eu vi um soldado paquistanês da ONU que veio para comprar ouro de um dos negociadores aqui em Mongbwalu. Eu estava aqui na loja, vi com meus próprios olhos", disse. Milícia Em pouco tempo os oficiais paquistaneses estavam fazendo acordos diretamente com a milícia FNI. Evarista Anjasubu - um negociante local disse que sabia de transações entre oficiais paquistaneses e dois dos mais famosos líderes de milícia, chamados Kung Fu e Dragon, que controlavam as minas de ouro.
À medida que o comércio de ouro florescia, os oficiais paquistaneses passavam a envolver membros do Exército congolês e comerciantes indianos vindos do Quênia. Richard Ndilu, encarregado da imigração na pista de decolagem de Mongbwalu, levantou suspeitas em 2005 quando um negociante indiano chegou ao local e ficou no campo dos soldados de paz paquistaneses. Alerta Alertada a respeito deste comércio ilegal por seus oficiais, a comissária do distrito de Ituri, Petronille Vaweka, foi ao aeroporto de Bunia para interceptar um avião de Mongbwalu. Ela afirmou que teve seu caminho bloqueado por oficiais do Exército do Congo, que se recusaram a deixar a comissária passar para inspecionar a carga. Quando a ONU foi alertada para as acusações de comércio de ouro pela organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, em 2005, foi instituída uma investigação. Investigação
Inicialmente o batalhão paquistanês local cooperou com a investigação. Mas então eles tentaram apreender um computador que, aparentemente, tinha documentos comprometedores e criou-se um impasse. Os paquistaneses cercaram a polícia da ONU que acompanhava os investigadores com arame farpado e colocaram dois veículos blindados do lado de fora de seu quartel-general em uma missão cristã. Os investigadores foram retirados de Mongbwalu. Os soldados paquistaneses da ONU são substituídos a cada seis meses e a investigação da BBC se refere a um período antes da gestão do atual batalhão paquistanês. O chefe da ONU no Congo, o embaixador William Swing, negou enfaticamente que as tropas de paz estavam rearmando as milícias. "Isto eu nego categoricamente. Fizemos apenas o oposto. Desmobilizamos mais de 20 mil. Tomamos depósitos de armas, destruímos armas. Queimamos estas armas em público. E não há nada a respeito destas acusações", disse. Ele afirma que a investigação sobre o comércio de ouro ainda será completada. Um oficial da ONU ligado ao inquérito disse à BBC que parece existir um plano para enterrar a investigação, para evitar alienar o Paquistão - o país que mais contribui com soldados para a ONU. A ONU em Nova York se recusou a explicar o resultado das investigações, quase dois anos depois das acusações terem surgido. E o povo do Congo não sabe se foi tomada alguma medida disciplinar contra os soldados paquistaneses envolvidos. |
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