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Atualizado às: 07 de maio, 2007 - 15h24 GMT (12h24 Brasília)
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Análise: Afinidade não faz de Sarkozy 'novo poodle' dos EUA

Nicolas Sarkozy e a secretária americana de Estado dos EUA, Condoleezza Rice
Então ministro, Sarkozy visitou EUA no fim do ano passado
Dentro dos EUA, a taxa de aprovação de George W. Bush despencou para 28%. Lá fora é muito pior. Por exemplo, na França, de acordo com dados do jornal Le Monde, é de 6%.

Mesmo assim, o presidente americano teve uma vitória indiscutível nas eleições francesas de domingo. O vencedor, Nicolas Sarkozy, nunca escondeu sua admiração pelo gigante americano. Já no seu primeiro discurso como presidente eleito, o político conservador prometeu revigorar as relações com Washington.

Existe um pendor nos dois lados do Atlântico para se exagerar rivalidades entre França e EUA. Mas elas são um fato. Como observou a revista Newsweek, a França é o mais antigo e o mais temperamental aliado dos EUA. As tensões ficaram patentes no governo de Jacques Chirac, conservador como o presidente-eleito, mas também seu rival.

A Casa Branca nunca perdoou Chirac por sua oposição (e sabotagem) à guerra do Iraque. Ironicamente, o veterano e ardiloso presidente francês estava correto ao prenunciar o desastre iraquiano.

Sarkozy também foi contra a invasão, mas disse que teria evitado a "verbosidade" do presidente que parte. Na campanha, ele deixou claro que no poder iria se distanciar da política de Chirac de se distanciar de Washington.

Na reta final, no entanto, Sarkozy modulou um pouco seu entusiasmo, lembrando que não será "submisso" aos interesses americanos. E vale notar que naquele primeiro discurso como presidente eleito, além de prometer melhorar as relações com Washington, Sarkozy também alfinetou o governo Bush advertindo que ele não deve bloquear os esforços mundiais contra o aquecimento global.

'Novo poodle'

É ridícula, portanto, a alfinetada de críticos de que, agora que o primeiro-ministro britânico Tony Blair está partindo do poder, a Casa Branca pelo menos encontrou um "novo poodle" nos Campos Elíseos.

Sarkozy é admirador e não seguidor incondicional dos EUA. No prefácio da edição americana do seu manifesto de campanha, Sarkozy ressaltou que "não tem intenções de pedir desculpas por sentir uma afinidade com a maior democracia do mundo".

Sarkozy é um franco adepto do "sonho americano". Gosta de elogiar o espírito empreendedor no outro lado do Atlântico (e admite que gostaria de importá-lo).

Filho de um imigrante húngaro, Sarkozy observou que "nos EUA existem todos os tipos de oportunidades para aqueles que sabem como capturá-las". Ele não mede elogios à meritocracia americana, nem sempre impecável, pois o atual presidente é filho de presidente.

Além destas digressões sobre o modelo americano, a prática conta muito. Autoridades americanas não esconderam o entusiasmo por Sarkozy quando ele visitou Washington em setembro passado, ainda como ministro do Interior. Com ele no cargo, foi cristalizada uma discreta e efetiva cooperação bilateral em contraterrorismo.

Pró-Israel

A cooperação com Washington pode se estender a outros campos. Para o alívio de Bush, Sarkozy é assumidamente pró-Israel e surpreendeu embaixadores árabes em Paris quando disse que sua prioridade em política externa seria forjar uma relação mais íntima com Israel.

Privadamente, ele afirmou que o governo francês deveria ser mais duro com o grupo xiita libanês Hezbollah, que ele, ao contrário de Chirac, qualifica de terrorista.

Sarkozy, porém, já se manifestou contra idéias de uma intervenção militar no Irã, embora defenda pressões mais intensas nas negociações nucleares.

Tudo isto será colocado à prova assim que Sarkozy assumir o cargo, no próximo dia 16. Na campanha eleitoral, política externa ficou em segundo plano.

Uma pesquisa mostrou que para menos de 10% dos eleitores questões internacionais foram o principal fator na votação. Em contraste, 44% apontaram criação de empregos.

Nicolas Sarkozy chega ao poder sem a carga, mas também sem a experiência e o inglês fluente de Jacques Chirac. George W. Bush saúda o novo presidente da França, aliado tradicional, embora temperamental, dos EUA.

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