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Após novos contratos, Petrobras devolve uma concessão à Bolívia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Petrobras devolveu ao governo boliviano a concessão para exploração de petróleo e gás no "bloco exploratório" (definição do jargão petroleiro) de Irenda, no departamento (Estado) de Chuquisaca, no sul do país. O gerente geral da Petrobras na Bolívia, o brasileiro Fernando Borges, contou que a decisão foi comunicada ao governo do presidente Evo Morales em janeiro passado. Mas só nesta quarta-feira assessores do ministério boliviano de Hidrocarbonetos revelaram a iniciativa, já que a Petrobras formalizou todos os contratos com o governo boliviano, assinados em outubro do ano passado, mas não fez o mesmo com o de Irenda. "Pelas novas regras contratuais, este poço não ficou mais atrativo", disse Borges. "Adquirimos este poço quando os royalties (pagos pelas petroleiras para o governo) eram de 18%. Mas agora, pelo novo contrato, a empresa deve entregar 50% dos royalties (dos hidrocarbonetos retirados na boca do poço) ao governo boliviano e, com os 50% restantes, recuperar os custos e gastos e dividir os lucros com a YPFB." Novos contratos O gerente da Petrobras afirmou que após vários anos de busca, com o uso de equipamentos eletrônicos, não foram encontrados sinais de hidrocarbonetos neste bloco de Irenda. Por ser um lugar novo e sem a garantia de que vai gerar possíveis lucros, a empresa brasileira preferiu desistir do negócio e continuar apostando nos campos onde o petróleo e o gás já foram localizados. Segundo Borges, os novos projetos na Bolívia "perderam competitividade" diante do aumento da carga tributária para as petroleiras. A Petrobras manterá, informou Borges, os trabalhos em outros cinco poços, incluindo os dois maiores, San Alberto e San Antonio e ainda o de Rio Hondo. Atualmente, a empresa conta com novecentos empregados na Bolívia, dos quais, contou Borges, 870 são bolivianos. Quando perguntado se a Petrobras permanece no país, depois destas mudanças, porque depende do gás da Bolívia, ele respondeu: "É uma mistura de tudo isso (o gás e os investimentos já realizados)." Fernando Borges disse que a quantidade do gás enviado pela Petrobras da Bolívia para o Brasil será mantida. O gerente geral da Petrobras participou com outros representantes das doze petroleiras instaladas no país de uma cerimônia, no Palácio presidencial Quemado, durante a qual o presidente Evo Morales formalizou a entrada em vigor dos novos contratos. Estes contratos já eram previstos na lei de nacionalização de hidrocarbonetos de 2005 e reiterados no decreto de nacionalização, do ano passado. Com a decisão da Petrobras, no total, o governo boliviano formalizou, nesta quarta-feira, a entrada em vigor de 43 contratos com as petroleiras, incluindo a Petrobras. Pela manhã, pouco antes da cerimônia, o presidente da estatal YPFB, Guillermo Aruquipa, disse que as empresas Total e Canadian Energy tinham esquecido de pagar os 305 bolivianos (cerca de R$ 60) para reconhecer os novos contratos em cartório. O pagamento foi feito e o imprevisto resolvido. |
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